faces e fases.




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no começo dos relacionamentos o slogan é: deixa o tempo rolar. não depositamos total confiança de que ele possa ser nossa última tentativa, que o bilhete do amor finalmente veio premiado e que nosso happy end finalmente chegou.
os meses se passam e ainda estamos naquele relacionamento, então achamos que está na hora de mudar o slogan para: te quero pra mim. a saudade dói tanto que não queremos mais nos despedir. nos misturamos tanto ao outro que não há mais necessidade de cada um ter seu próprio teto. vamos juntar as escovas, compartilhar as contas e dividir a mesma cama.
e agora o slogan é: dois em um. o tempo se torna relativo, tendo a eternidade como objetivo. as decisões não são deixadas na mão do senhor tempo, elas são tomadas em conjunto. o futuro pode até ser incerto, mas que será em dose dupla isso é certo.

há gentes.




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tenho profunda admiração e uma certa dose de inveja por quem não espera pra amar e se declarar. por gente que não segue a lei do tempo determinado pela grande maioria. gente que ama intensamente e não se importa se será eternamente. gente que ama hoje e não se preocupa se haverá um amanhã para tal sentimento. gente que demonstra afeto nas atitudes mais cotidianas. gente que canta música de tio Roberto até para os cachorros da rua. gente que exala amor no sorriso. que conjuga o verbo amar com ações. gente que não deixa o medo encobrir o que há por dentro. gente que ama no começo, no meio e depois do fim. gente que ama porque sim.

ô ô.





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o cronômetro zerado. 
o coração abraçado.
o corpo afagado. 
o sorriso beijado.

azedume.




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me acostumei tanto a ser sozinha que às vezes eu não consigo entender a necessidade que algumas pessoas possuem por uma companhia. com o passar dos anos eu fui notando que existe uma classe de gente que de fato não nasceu pra ser sozinha, que precisa de alguém e se esquece de que precisar de alguém é a coisa mais patética do universo. porque precisar de alguém não te deixa escolha, você aceita a primeira companhia que aparece e nem se preocupa se isso te fará bem. o importante é não ser visto sentado sozinho numa poltrona de cinema ou então numa mesa de bar. a rotatividade é tão grande que os sentimentos são atropelados e jamais aproveitados. se remenda romances fracassados com relacionamentos fingidos. não se vive o luto, não se aproveita da própria companhia e muito menos há tempo para se descobrir. jogamos nos ombros alheios a incumbência de nos preencher de toda felicidade terrena, seja ela embalada com rótulos vermelhos ou noitadas viradas. a culpa nunca é nossa, foram os outros que não souberam aproveitar nossa maravilhosa companhia. queira alguém, mas jamais a torne uma necessidade, caso contrário você ficará sem liberdade.

apenas o fim.




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o fim de qualquer relação nunca é fácil por si própria e fica ainda pior quando alguém te traz a memória com alguma pergunta constrangedora. todos a sua volta querem um motivo plausível e aceitável pra tal rompimento, sendo que às vezes nem nós sabemos ao certo em qual momento a relação acabou e estava apenas cumprindo a carga horária. nunca haverá apenas um motivo pra separação, pode haver um que faça papel daquela gota d'água que faltava pro balde virar, mas se pararmos pra pensar iremos encontrar outras gotinhas que foram amargando nossa garganta ao longo do convívio. quando adolescente eu ficava a pensar em boas desculpas para apresentar a sociedade e justificar meus rompimentos com as pessoas. atualmente, sempre que me perguntam por certas pessoas eu digo apenas que elas estão vivendo a vida delas e eu a minha. não há raiva, mágoa, ódio, sede vingança e muito menos saudade. há fins que levam tudo, que lacram a porta quando surgem e que por descuido deixamos acontecer. 

a vida mim deixou órfã.




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há sete anos atrás meu pai entrava num relacionamento que viria a ser a nossa ruína. como filha eu não podia fazer nada além de observar o abismo ser cavado. a busca por uma felicidade a dois o tornou um homem cego e idiota. o fez abrir mão da convivência comigo e minhas outras duas irmãs. às vezes eu sinto uma saudade absurda dele, porque ele era um grande amigo - não aquela coisa clichê de meu pai, meu herói. meu relacionamento com ele durou apenas alguns maravilhosos anos e como tudo quié bom acaba de um jeito desgracento, com a gente não foi diferente. e como desgraça pouca é bobagem, atualmente eu vejo a história se repetir. agora a protagonista é a senhora minha mãe. que há quase dois anos entrou num relacionamento que vem sendo a nossa ruína. ela, assim como meu pai, não percebe que a busca por uma felicidade a dois pode ser mais danosa do que a própria solidão. minha mãe, que na época tanto condenou as atitudes de meu pai, hoje age de forma completamente igual, abrindo mão da convivência comigo, meus irmãos e minha sobrinha.
então eu chego aos vinte cinco anos de vida e praticamente órfã de pai e mãe vivos! como a vida brinca com nosso coração, né? eu sempre quis a felicidade conjugal de meus pais, mas sempre temi que o preço por ela fosse eu. ambos usam a mesma frase: não vou abrir mão da minha vida por você. por que diabos essa gente não pensou no mesmo antes de me deixar nascer? filhos são pra sempre - independente da idade -, mas meus pais talvez tenham se esquecido disso. afinal, todos queremos um amor do lado. mesmo que esse amor cause tanta dor a outros.

não é carnaval, mas a gente comemora.




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eu nem sabia como o twitter funfava direito e foi quando cê apareceu. há seis anos atrás, direto do nosso túnel do tempo. de lá pra cá eu já perdi as conta de quantas vezes tu sumiu e me largou na solidão - como tem feito desde o começo do ano. mas eu sô trouxa e sempre te aceito de volta, até quando eu não sei, talvez seja sempre assim.
mas esse texto num era pra ser fofo e comemorativo? e não tá sendo? (sorriso)
eu não sei como foi que tu me encontrou, mas seja como for saiba que sou agradecida. obrigada pelas assistências técnicas via mensagem. obrigada por compartilhar a conta do netflix. obrigada por ligar quando eu não respondo vossas mensagens. obrigada por viajar até Recife pra passar o final de semana comigo. obrigada por me iludir e dizer que sou fofa. 
teje avisado que ainda cultivo a doce ilusão de receber uma visita sua. ou será que vamos precisar de outra viagem para se encontrar? seja macho e dê um jeito nessa situação!

conservo afetos por vossa pessoa, sinhô Etiópia. ♥

regra 32.



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quero te reencontrar. te abraçar por horas. cheirar seu cangote. acariciar suas orelhas. beijar suas bochechas. deitar no seu colo. caminhar de mãos dadas. assistir filmes. te apresentar músicas que tu já conhece. compartilhar jujubas. ganhar moedas e te comprar baús. ir ao cinema e sentar em lugares que não são nossos. repartir o último chiclete. sentar a beira mar e contar os navios. fazer carinho na sua nuca. debater sobre as novelas que não acompanhamos.  dançar sem música só por estar abraçada contigo. deixar você bagunçar meu cabelo (ou seria fazer cafuné?). te preparar o melhor café da cidade. ouvir você cantar a música da peppa. cutucar os ossos de sua costela. deixar você me ensinar a jogar xadrez. compartilhar uma pizza de beicon. sentar do seu lado só pra segurar sua mão. ouvir as batidas de seu coração. admirar o seu sorriso. tirar fota com você. tomar açaí e ficar gribada. sanar o desejo de comer batata. beijar o seu sorriso. te apresentar padarias novas. aproveitar todos itens da lista!

ato qualquer. {2}



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hoje o dia não amanheceu lindamente cinza, o céu se encontra no tom claro de azul e os passarinhos estão a cantar no quintal do vizinho. o sol amanheceu mais preguiçoso do que eu e espero que ele permaneça assim amém. 
todos temos preferência por algo, eu por exemplo: adoro as quartas e uma caneca de café com duas moedas de leite pela manhã. do mesmo jeito que por mim todos os dias seriam cinza, apesar deu saber que o sol também é importante e merece uma chance. 
o mundo seria mais interessante se todos andassem por aí de pijama. fosse de flor, de personagem de quadrinho, de bolinha e até sem estampa alguma. poderia ser calça, short, bermuda, regata, camisa ou camiseta. 
uma meia nos pés e o cobertor só fica incumbido de proteger azorelhas. um travesseiro pra cabeça, outro para o meio das pernas e um terceiro para os dias de carência aguda. 
cartas, bilhetes, post it, guardanapos e rascunhos todos rasbicados com lapiseira e uma letra caseira. nunca gostei de corretivo, por isso sempre usei adesivo. (sô rimeira meRmo, até quando não quero)
aleatoriamente tô me esvaziando, como uma pia entupida que aproveita as brechas para escorrer. 

início/meio/fim.




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eu minto.
ele mente.
nós não existimos.

eu quero.
ele quer.
nós fazemos.

eu fico.
ele vai.
nós nos separamos.

ia.





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espalharam por aí que 'te amo' não é 'bom dia' 
e que dizer 'bom dia' é sinônimo de ironia,
com isso a vida fica vazia. 

pra curar.



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encontre um alguém que aceite as jujubas vermelhas/amarelas e te doe as roxas/verdes/laranjas;  um alguém que aceite rever um filme só pra te fazer companhia; alguém que não se importe de te abraçar no calor; um alguém que te lembre o afeto que por ti sente; alguém que suporte seus dramas; um alguém que aceite assistir um programa qualquer de tv só pra ficar do seu lado; alguém que te ajude a exercitar a paciência; alguém pra te acompanhar nas brincadeiras exóticas; um alguém que te apresente novas experiências; alguém que seja saudade; um alguém que tenha beijo-que-tudo-cura; alguém que te faça miojo; um alguém pra dividir o último chiclete; alguém que decore todas suas manias estranhas; um alguém pra entrelaçar os dedos e os laços do coração.  

um dedo de prosa. [73]




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ela: tá ouvindo?
ele: o que?
ela: o barulho do meu coração se partindo.
ele: pensei que fosse sua barriga roncando.
(risos)

when you love someone.



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hoje eu recebi o convite para o casamento de um casal amigo. não eram daqueles convites clichês  com letras doradas num papel bonito, mas uma coisa lindamente particular e a cara do tal casal. e o mesmo deveria acontecer com todos os outros casais. 
valorizo o casamento de tal forma que às vezes sinto um certo receio na boca do estômago. mas então vejo casais que renovam a minha fé e amenizam o medo. não que eles sejam casais perfeitos, sem problemas e com famílias de comerciais de margarina. 
quem me conhece sabe as tantas horas que já passei assistindo vídeos e mais vídeos de casamentos. uns em praia, outros em fazendas, alguns na igreja, em cerimonias, em bistrôs, em bares e até em circos. tiro o chapéu, aplaudo de pé e me emociono com casais que transformam esse momento em algo realmente significativo. 
o casamento não começa na cerimônia, mas é através dela que os outros tomam conhecimento daquilo que antes era uma coisa íntima e compartilhada a dois. a celebração do casamento é uma exposição do que já estava sendo cultivado há algum tempo e não o comprovante de uma vida decente (?). 
entre vestidos, gravatas, ternos, bem-casado, docinhos, buquê, decoração, convite, trilha sonora, padrinhos, testemunhas, madrinhas, pagem, dama de honra, cerimônia, festa e qualquer outro ingrediente que componha essa data lembre-se de: imprimir sua nova digital, que agora é feita com dois polegares.

não é uva e passa.




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se a gente não se vigiar acaba por se perder. os primeiros dias de distância gritam a saudade tão alto em nossos corações que nossos olhos ficam cegos. mas o correr dos dias a mais parecem abafar esse som e daí se a gente não vigiar acaba por se perder. esquecemos de voltar, deixamos de procurar e por fim deixamos pra lá. em primeira estancia toda dor é sentida, mas como somos animais estranhos a dor com o passar das estancias se torna aceitável e indolor, se a gente não vigiar acaba por se perder e viver com uma dor aqui e um hematoma ali. o cheiro da saudade misturado com a falta pode ser comparado com o aroma suave que um caminhão de lixo exala. novamente a nossa natureza estranha entra em ação e torna esse cheiro dantes insuportável em uma coisa inodoro e o pior: agradável. daí se a gente não vigiar acaba por se perder. deixamos de nos lavar no outro, não renovamos a limpeza dos trajes ou até nos conformamos com a nudez que o outro deixou. isso tudo acontece tão lentamente, tão embaçadamente e continua na mente. 

leste - oeste.




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encontro.
desencontro.
reencontro.

acaso.
contagem progressiva.
sorte.

surpresa.
rotina.
destino.

começo.
fim.
meio.

paixão.
saudade.
amor.

sem ti.




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digo 'boa noite' e desejo bons sonhos, quando na verdade o que eu queria era sua presença aqui ou então a minha aí. queria não precisar dormir só pra ouvir sua voz e te fazer sorrir. dizem que quando estamos apaixonados perdemos a noção de algumas coisas, talvez seja isso que desperte o meu lado mais coruja de ser. queria que não fosse preciso me despedir, mesmo que fosse apenas pra dormir ou trabalhar. qualquer espaço e silêncio dão vazão pra uma saudade desenfreada e mal educada. queria me bordar em você, assim como a Mallu sugeriu em uma de suas canções. não quero parecer uma velha e louca, apenas quero aproveitar esses suspiros de insanidade cardíaca, que me proporcionam desejos adormecidos e até esquecidos. no final das contas eu irei fechar os meus olhos e sonhar com qualquer outra coisa que não seja sua pessoa, mas acordarei sorrindo porque qualquer coisa que seja boa e de aroma suave me remete até você. sinto mais.

pluralidade singular.



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quem me vê sorrindo nem imagina todo o maquinário que há por trás. a maioria só repara na quantidade de dentes que consigo mostrar. nem todos conseguem notar a chama que se acende nos meus olhos, talvez porque não seja qualquer um que consiga fazê-la se acender. só os íntimos conseguem perceber os saltos ornamentais que meus rins dão.
cada sorriso exige voltas e mais voltas de várias rodas gigantes existentes dentro de meu pequeno corpo. uma pra cada órgão do corpo. já que sorriso de verdade vem de dentro pra fora, pois os dentes são meros manequins do que temos no coração.

nota mental. /4




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saudade não tem nome. não tem data de óbito. não mede distância. não segue a linha do tempo. vem antes, depois e durante as lembranças. não tem raça. não tem cor. não se pode padronizar. saudade não se evita. saudade não pede licença. saudade é saudade independente da idade. 

thinking out loud.




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por favor, sente-se. tome uma, duas ou três xícaras de chá, café ou suco de maracujá. não se preocupe com a hora, farei-te o favor de jogar fora todos os relógios. posso te garantir que o tempo é relativo, assim como o sentimento cardíaco que estou a cultivar dentro de mim. me dê a sua mão, pois o calor que ela emana aquece meus pulmões solitários. seu sorriso se mistura com os brilhos dos seus olhos e então meus rins mostram as canjicas amareladas de vergonha. quero te abraçar e dançar ao som do seu coração descompassado.
por favor, entre e faça de mim sua morada.