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gira.

 


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o período atual por si só já bombardeia a nossa mente com vários pensamentos: mudanças, objetivos, sonhos, metas, desafios, reflexões, transformações e etc. afinal de contas, estamos no mês de janeiro, o pai de todas as expectativas. para alguns é uma questão de leves ajustes de rotina ou então a incrementação de hábitos totalmente novos. 

a primeira semana já foi concluída e com certeza várias pessoas já tiveram as suas primeiras decepções e pensaram que é melhor deixar para o próximo ano (trabalhamos com o radicalismo rs). por muitos anos eu fui participante desse grupo, porque a minha infinita impaciência não aceitava o tempo dos processos, até eu aprender que falhar algumas vezes não é uma sentença definitiva. tudo bem que você precise de mais tempo para chegar no seu objetivo final, seja ele qual for. há quem diga que o importante é o trajeto e não o destino, eu prefiro depositar a importância nas companhias - sejam elas duradouras ou passageiras. 

você nunca vai se encontrar se não reconhecer que está/esteve perdido em algum momento, da mesma forma que os hábitos maravilhosos compartilhados nas redes sociais não cabem dentro da sua realidade. nem todo mundo tem condições de acordar 4h e ir assistir o sol nascendo dentro de uma canoa no mar, às vezes a sua realidade é enxergar o sol nascendo dentro de um busão lotado. tem alegria e satisfação que só um podrão de bairro pode te proporcionar e você não precisa se odiar por isso.

é caindo e levantando que a gente conclui um ciclo ou o quebra, para seguirmos morrendo de viver.

cool out.



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ei, você. pense aí nos relacionamentos que tu tinha no passado e hoje não existem mais. pensou? qual foi a sua sensação? ficou triste? ficou agradecido? nem conseguiu lembrar? pois é, o fim às vezes é triste e traz sempre vários aprendizados.
eu acredito muito no fim das relações e que é algo tão natural de acontecer, que não há motivos pra lamentações ou remorsos. 
sim, também sou do lema "antes só do que mal acompanhado" e eu não falo só de namorado/a. uma amizade pode ser tão abusiva quanto qualquer caso de "amor" e a única sensação que você pode se permitir é a de liberdade. você que ficou triste por não ter mais aquela amizade, pense agora se ela não estava reprimindo ao invés de construindo contigo. a gente se acomoda tão fácil nas relações, que os gritos e agressões se tornam "normais".
ah, mas nem todo fim é resultado de um barraco esplendoroso, a maioria vem no silêncio e com leve doses de distância com indiferença. e sim, vou te dizer que tá tudo bem! não, num tô dizendo que tu tem que cagar para seus relacionamentos, só que se ele acabar é porque fazia parte do roteiro.
sinto saudade de uma pá de gente, mas não é saudade pra querer de volta e sim saudade que diz que foi bom e acabou.
faz o teste aí, se liberte dos ressentimentos e deixe o coração livre pra encontrar outros aquecimentos.

estar ágil.



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relacionamentos quando chegam ao fim passam por estágios diferentes, independente dos motivos e razões que nos levaram ao fim. 
no primeiro estágio: ficamos procurando os culpados, justificamos todas as nossas ações, temos uma boa desculpa na ponta da língua, mas a verdade é que a gente ainda não sabe bem o que aconteceu de fato.
e percebemos que estamos no segundo estágio: quando não queremos ouvir falar da pessoa com quem rompemos os laços afetivos, não suportamos lembrar do tempo vivido ao lado daquela pessoa, nos sentimos estúpidos e culpados por ter se enfiado numa relação como aquela. o coração vai se enchendo de rancor e arrependimentos.
mas o terceiro estágio chega e então: deixamos todo líquido de escuridão escorrer, seja pelos olhos ou pelo suor. percebemos que ouvir falar da tal pessoa já não nos causa nenhum efeito, estamos livres dos remorsos e até conseguimos rir dos desastres.
e quando achamos que já tá tudo massa, vem o quarto ou último estágio: conseguimos reconhecer todas as coisas boas que aquela relação nos trouxe. lembramos dos perrengues que nos tornaram mais pacientes. agradecemos por sermos mais humanos e menos mesquinhos. o coração sorrir ao recordar os bons momentos.
enfim, o fim nos conduz aos bons começos. 

efeitos colaterais.



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senta aqui, vamos conversar um pouco. sabe por que o ciúmes deve ser carta fora do nosso baralho? porque ele envenena nosso coração, fazendo a gente alucinar e ver macaco em cima do poste. pode parecer exagero, mas se você parar pra pensar tudo faz muito sentido. quando o ciúmes ocupa espaço no nosso coração, mudamos nossas atitudes com o outro, como se ele fosse culpado pela nossa própria paranoia. tratamos nosso ser amado como réu culpado por algo que só existe na nossa imaginação. já não agimos com a razão e sim com uma emoção cega. e o único antídoto capaz de nos livrar dos efeitos colaterais desse maldito veneno é o amor. sim, porque quando a gente ama não há espaço para ciúmes, acredite. 

em poder e andamento.



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que mulher nunca disse ou nunca ouviu outra dizer que prefere amizade masculina? mulher é sempre vista como falsiane, como concorrente, como vagabunda, como oferecida e como aquele ser que não deve ser mencionado. confesso, que já fui assim e até hoje luto pra evitar meus instintos machista opressor. 
de fato eu nunca tive muitas amizades femininas, mas isso foi acontecendo sem que eu me desse conta, a começar pela minha casa que não havia meninas com quem brincar. dei preferência para os carrinhos e gol-a-gol. a infância passou, porém as preferências e preconceitos se mantiveram por anos a fio. 
se teve algo que aprendi nesse ano de dois mil e dezesseis foi que: MULHER É UM SER MARAVILHOSO! (insira aqui vários corações verdes) 
de modo algum nego a complexidade que envolve qualquer ser humano. o segredo tá em parar de tentar entender a mulher e aceitá-la como é. defeitos todos temos, mas se tu não dá uma chance nunca irá conhecer o perfume por trás do nosso mecanismo de defesa. nunca haverá um manual de instrução, pelo simples fato de que não somos objetos! tempos TPM sim, quem não tem? atire a primeira pedra aquele que nunca esteve sob o controle dos hormônios, é claro que precisamos mostrar que o controle não os pertence. 
uma desconstrução de cada vez e assim fazemos auto-revolução.

primeiro parágrafo.




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se você procura alguém pra passar a vida junto porque tem medo de ficar SÓ, quando a velhice chegar, eu venho lhe dizer que a solidão vai te abraçar com unhas e dentes. porque o outro não pode preencher um vazio que somente a gente pode preencher. solidão é um estado de espírito e talvez seja por isso que eu sempre caguei quando eu ouvia alguém dizer que eu iria acabar sozinha. pior do que procurar um relacionamento afetivo por medo da solidão é parir um filho na esperança de que ele nos cuide quando a nossa vitalidade escorrer pelas fraldas geriátricas. porque não podemos depositar em outro aquilo que fazemos por eles, não é ingratidão é apenas o curso da vida. talvez, com sorte ou alinhamento certo dos astros você chegue nessa situação com o coração tão cheio e com a alma tão plena que ao quase final da vida você terá alguém do seu lado, quem sabe uma outra mão tremula e memória de dory ou então braços repletos de vitalidade e graça. fato é que a nossa solidão só precisa da nossa companhia para não causar vazios existênciais nossos companheiros precisam ser aquele bônus extra que a gente encontra no pacote de biscoito e não mais uma necessidade que compramos no mercado.

sapatilha 37.




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o que relacionamento tem a ver com calçado? TU-DO!
você nem estava precisando ou procurando, mas a vida vem e te apresenta aquele calçado que faz seu coração coçar da alegria. claro que você não vai metendo os pés pelas mãos e agarrando ele de vez pois tem medo de que não seja seu número. então aos poucos você resolve se aproximar, vai se deixando usar por uns dias sim e nos seguintes também, até perceber que lhe cabe por completo. 
então, você percebe que já não consegue mais andar descalço, porque dói o pé - ou coração, mas eu tô falando de sapato. mas também não é bacana só conseguir usar seu sapato favorito se estiver usando band-aid. porque sapato bom mesmo é aquele que você usa todos os dias e não se cansa, nem mesmo depois de anos. sapato bom mesmo é aquele que não importa qual moda a galera tá usando, ele sempre será a sua escolha. sapato bom mesmo é aquele que não importa a distância percorrida, seus pés sempre estarão confortáveis. caso contrário, é melhor jogar fora e esperar por outro ou então ficar descalço e sentir novas sensações.

vi adultos.


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assim como a construção de uma casa, nossos relacionamentos também precisam de uma base, vigas fortes e paredes sólidas. nada acontece do dia para a noite, é necessário algum tempo para que tudo fique em seu devido lugar, mesmo que esse tempo seja de uma semana. os próximos passos são cuidados, manutenções e zelo. assim como ninguém suporta por muito tempo uma casa com goteira, nossos relacionamentos também não podem continuar com baldes espalhados pelo chão só porque não temos tempo de consertar o telhado. as rachaduras nas paredes no coração comprometem a estrutura e quando o vento vir mais forte, tudo poderá vir ao chão. 
todos sabemos dos riscos que corremos dentro de uma casa condenada pela defesa civil, mas às vezes optamos por um lar condenado do que pela frieza dos viadutos. o mesmo ocorre com os relacionamentos, é melhor ter o coração rachado do que vê-lo se partir por completo. (será?)

para quedas.




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entrar em um relacionamento pode ser comparado a uma viagem de avião - de ônibus, de trem, de navio e do que mais você quiser, porém eu quis enfatizar o avião e fim. 
quando estamos embarcando pela primeira vez, nossos corações e ações são todos voltados para as saídas de emergências e para-quedas disponíveis. o barulho da turbina acelera os batimentos cardíacos e a velocidade necessária pra decolagem nos faz respirar lentamente, como se ficássemos mais leves. quando estamos lá no alto e olhamos pra baixo sentimos uma leve tensão e ao mesmo tempo um tesão. então começamos a nos ~soltar~, vamos deixando as válvulas de segurança em segundo plano e começamos a aproveitar nossa viagem - lembre-se de que a viagem aqui é sinônimo de relacionamento. reclinamos as poltronas, colocamos os pés pra cima e relaxamos tanto que até ousamos sonecar e sonhar. deixamos o medo de lado, mas isso não anula nossos para-quedas. qualquer turbulência ou pane-no-sistema nos remete rapidamente à todas saídas de emergência, nosso instinto de sobrevivência se sobrepõe aos prós da viagem vigente. e depois do susto passado é necessário paciência e compreensão para voltarmos ao acolhimento e afago de nossos assentos. em outros casos talvez o único afago e acolhimento esteja na saída de emergência. 
valendo lembrar de que só se pode viajar se tiver alguém pra te acompanhar.

faces e fases.




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no começo dos relacionamentos o slogan é: deixa o tempo rolar. não depositamos total confiança de que ele possa ser nossa última tentativa, que o bilhete do amor finalmente veio premiado e que nosso happy end finalmente chegou.
os meses se passam e ainda estamos naquele relacionamento, então achamos que está na hora de mudar o slogan para: te quero pra mim. a saudade dói tanto que não queremos mais nos despedir. nos misturamos tanto ao outro que não há mais necessidade de cada um ter seu próprio teto. vamos juntar as escovas, compartilhar as contas e dividir a mesma cama.
e agora o slogan é: dois em um. o tempo se torna relativo, tendo a eternidade como objetivo. as decisões não são deixadas na mão do senhor tempo, elas são tomadas em conjunto. o futuro pode até ser incerto, mas que será em dose dupla isso é certo.

azedume.




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me acostumei tanto a ser sozinha que às vezes eu não consigo entender a necessidade que algumas pessoas possuem por uma companhia. com o passar dos anos eu fui notando que existe uma classe de gente que de fato não nasceu pra ser sozinha, que precisa de alguém e se esquece de que precisar de alguém é a coisa mais patética do universo. porque precisar de alguém não te deixa escolha, você aceita a primeira companhia que aparece e nem se preocupa se isso te fará bem. o importante é não ser visto sentado sozinho numa poltrona de cinema ou então numa mesa de bar. a rotatividade é tão grande que os sentimentos são atropelados e jamais aproveitados. se remenda romances fracassados com relacionamentos fingidos. não se vive o luto, não se aproveita da própria companhia e muito menos há tempo para se descobrir. jogamos nos ombros alheios a incumbência de nos preencher de toda felicidade terrena, seja ela embalada com rótulos vermelhos ou noitadas viradas. a culpa nunca é nossa, foram os outros que não souberam aproveitar nossa maravilhosa companhia. queira alguém, mas jamais a torne uma necessidade, caso contrário você ficará sem liberdade.

when you love someone.



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hoje eu recebi o convite para o casamento de um casal amigo. não eram daqueles convites clichês  com letras doradas num papel bonito, mas uma coisa lindamente particular e a cara do tal casal. e o mesmo deveria acontecer com todos os outros casais. 
valorizo o casamento de tal forma que às vezes sinto um certo receio na boca do estômago. mas então vejo casais que renovam a minha fé e amenizam o medo. não que eles sejam casais perfeitos, sem problemas e com famílias de comerciais de margarina. 
quem me conhece sabe as tantas horas que já passei assistindo vídeos e mais vídeos de casamentos. uns em praia, outros em fazendas, alguns na igreja, em cerimonias, em bistrôs, em bares e até em circos. tiro o chapéu, aplaudo de pé e me emociono com casais que transformam esse momento em algo realmente significativo. 
o casamento não começa na cerimônia, mas é através dela que os outros tomam conhecimento daquilo que antes era uma coisa íntima e compartilhada a dois. a celebração do casamento é uma exposição do que já estava sendo cultivado há algum tempo e não o comprovante de uma vida decente (?). 
entre vestidos, gravatas, ternos, bem-casado, docinhos, buquê, decoração, convite, trilha sonora, padrinhos, testemunhas, madrinhas, pagem, dama de honra, cerimônia, festa e qualquer outro ingrediente que componha essa data lembre-se de: imprimir sua nova digital, que agora é feita com dois polegares.

não é uva e passa.




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se a gente não se vigiar acaba por se perder. os primeiros dias de distância gritam a saudade tão alto em nossos corações que nossos olhos ficam cegos. mas o correr dos dias a mais parecem abafar esse som e daí se a gente não vigiar acaba por se perder. esquecemos de voltar, deixamos de procurar e por fim deixamos pra lá. em primeira estancia toda dor é sentida, mas como somos animais estranhos a dor com o passar das estancias se torna aceitável e indolor, se a gente não vigiar acaba por se perder e viver com uma dor aqui e um hematoma ali. o cheiro da saudade misturado com a falta pode ser comparado com o aroma suave que um caminhão de lixo exala. novamente a nossa natureza estranha entra em ação e torna esse cheiro dantes insuportável em uma coisa inodoro e o pior: agradável. daí se a gente não vigiar acaba por se perder. deixamos de nos lavar no outro, não renovamos a limpeza dos trajes ou até nos conformamos com a nudez que o outro deixou. isso tudo acontece tão lentamente, tão embaçadamente e continua na mente. 

por fim.



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receber um 'não' é menos doloroso do que receber um 'não sei'. a dúvida vai nos matando aos poucos, vai correndo o otimismo através de pequenas e dolorosas mordidas, te deixa sem saber se vai ou se fica e pior: te faz pensar em dar meia volta e mudar a direção. 
colocar um ponto final em qualquer relacionamento é menos cruel do que pedir um tempo. se a dúvida já chegou a boca é porque o coração já perdeu toda a certeza. você não sabe se aquela pessoa ainda é sua ou se você tá no direito de procurar por outra que lhe queira. 
o meio termo não é lugar de ficar e nem de colocar outro em seu lugar. muros foram feitos para serem pulados, porque ninguém é obrigado a ficar no lado que já não lhe causa mais prazer. 
cortar o mal pela raiz é mais misericordioso do que arrancar somente uma galha ou uma flor. porque se terá certeza de que ali não brotará mais nada, logo estamos livres para cultivarmos outra flor ou fruto.
enfim, é hora de evitar o fim.

evidências.



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a vida e a sua teoria de: vou arrumar outro pra te esquecer. isso acontece com móveis, eletrônicos, imóveis, automóveis e pessoas. estamos sempre substituindo as coisas e as pessoas na tentativa de sufocar o sentimento que cultivamos por ela. eu nunca acreditei nisso, talvez porque comigo isso nunca funcionou. 
você não gosta das coisas ou das pessoas da mesma maneira, logo um sentimento não é capaz de anular o outro. cada coisa ou pessoa te conquista por motivos e razões variadas. você pode deixar cair no esquecimento, tirar da evidência em sua vida e ainda sim ele vai viver eternamente nas sua memória - para servir de martírio nos sábados chuvosos. seu presente não deve ser usado pra apagar o passado, seja ele bom ou ruim. 

sobre atual idades.



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demonstrar sentimentos está fora de moda. passou a ser visto como trajes de gente fraca e ignorante. como demonstrar afeto sem saber se o outro cultiva algum sentimento verdadeiro por nós? não, não pode. devemos ser fortes e independentes. gostar e demonstrar afeto nos torna vulneráveis e isso vai contra as regras atuais. coração deixou de ter um significado figurativo, agora ele é apenas um órgão que bombeia sangue pra sua máquina, conhecida como corpo, continuar funcionando e fim. não se apegue, não abaixe a guarda e jamais se aproxime muito de outra pessoa - novo slogan pra uma vida de sucesso e vazia. precisamos de dinheiros e não de corações partidos. siga a razão, se deixe levar pela maré e quando não der mais pé se afogue nos braços da emoção.

sobre a tina.



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a gente ouve falar de rotina e a primeira coisa que vem a nossa a mente é uma coisa massante e chata. rotina não rima com o tédio mas parecem palavras sinônimas.  (que coisa não?) todos reclamos e tentamos mudar, quebrar e dar um perdido na rotina, aspiramos pelo novo e pelo desconhecido como se fossem aquele ar puro que a gente só encontra quando sai do meio da poluição da cidade. (como somos tolos! como somos momentâneos e estranhos)!
o ar puro é bom, tão bom que faz os pulmões doerem. mas o tempo se passa e traz aquela poluição que pensávamos ser da cidade, então ela começa a vazar pelos nossos poros e escorrer através das nossas lágrimas e salivas. 
a rotina é essa coisa empoeira porque a gente mete o rabo entre as pernas e foge, ao invés de ficar e limpar. o novo também vira rotina, o novo também fica velho e não podemos deixá-los de lado só por causa disso. 
encontrar graça na rotina é como enxergar um diamante no seu estado bruto, os outros podem não vê mas a gente sabe o valor que tem. 

minha casa, minha vida.




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viajar é sempre uma delícia, mas nada substitui a sensação de voltar pra casa. para o lugar que você transformou em lar, sinônimo de conforto e paz. onde por mais bagunçado ou sujo que for, é ainda o seu lugar favorito. que você conhece bem, cada cantinho, cada mobília, cada detalhe da parede descascada e afins. a casa pode estar muito necessitada de reparos, mas ainda sim é nossa casa! onde a gente manda e obedece. onde criamos regras e as quebramos quando necessário. 
mas casa não é feita só de tijolo ou madeira, há pessoas que são nossas casas, nosso lar! algumas parecem que já vem prontas pra gente morar, fazer nosso ninho e se aconchegar nos abraços. tem outras que são como uma planta baixa, é necessário dedicação e espera. são aquelas que aos poucos vão preparando o terreno, cavando as sapatas que abrigaram as vigas que darão sustento pra relação. quando você menos espera já tá cercado por fortes paredes de abraço. ganha um teto solar pra observar a lua, contar as estrelas e impedir a chuva de desgastar. as lembranças vão sendo penduradas na parede do coração, com molduras simples e marcantes. as gargalhadas tocam na vitrola, trazendo harmonia para os cômodos. o colo se torna cadeira, sofá e mesa. 
em casa a gente não sente vergonha, em casa a gente não sente medo, em casa a gente grita, em casa a gente é a gente e ainda sim somos sempre bem vindos!



uma rapidinha.



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nem todo ponto é final, às vezes voltamos atrás e colocamos uma vírgula embaixo; pra demonstrar uma pausa, um momento em que foi necessário um tempo pra se recuperar o fôlego ou o ânimo. nenhum texto ou relacionamento pode  funcionar direto, precisa-se de vírgulas e 
até de parágrafos novos. letras Maiúsculas, subtítulos, tópicos e quem sabe até de uma página em branco.

até deixar de ser.




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essa mania de querer que tudo dure pra sempre sempre tira a graça de alguns acontecimentos, e ainda traz de bônus uma bagagem de mão chamada: decepção.
 quando encontramos uma música que nos transporta para um mundo paralelo a gente não quer que ela chegue ao fim, colocamos no repete com a esperança de estender ao máximo nossa viagem. o mesmo acontece com os livros, a gente devora os primeiros capítulos e quando as últimas páginas se aproximam o coração já começa a sentir o vazio que a última palavra vai deixar. daí a gente volta e reler o livro tantas vezes ao ponto de decorarmos todas as frases. fazemos o mesmo com as roupas favoritas, os sapatos mais confortáveis, a bolsa que já contém tudo que precisamos, e tantas outras coisas. até ai tudo bem, tudo legal e aceitável. qual o problema em querer prolongar as coisas? realmente nenhum. 
a decepção vem quando tentamos fazer isso com nossos relacionamentos pessoais. conhecemos alguém e queremos que ela seja pra sempre. queremos um relacionamento perfeito, que se encaixe nos padrões fifa de felicidade. nos apaixonamos pelo conjunto de qualidades e defeitos rezando pra paixão nunca passar. queremos sentir os rins sorrirem todas vezes que o celular vibrar na madrugada com uma sms ou então nos surpreender com uma ligação matinal e não queremos isso por pouco tempo ou por quanto tempo durar. temos pressa em querer o pra sempre e esquecemos que ele é feito com momentos do hoje e não do amanhã.