wood

última imagem como solteiros rs

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há cinco anos o mundo estava completamente incerto, não tínhamos vacina e o medo fungava nosso cangote. mas o que me importava mesmo era a decisão de te passar pro meu nome, invalidar nossa certidão de nascimento e assumir publicamente o quanto eu estava comprometida em construir um lar com você. e não existiu um dia sequer que você não tenha sido a minha prioridade, porque numa sociedade que propaga o casamento como prisão, a gente vive a liberdade de se acolher e se escolher diariamente. para uma viciada em romance, eu vivo a realidade do sonho de ter ao meu lado alguém que me ama, me deseja, me respeita, me valoriza, me defende e me escolhe. 

eu te amo, mas só dizer isso não é suficiente, então eu vou citar uma das minhas escritoras favoritas:

 "Você é a minha alma gêmea. Eu vou te encontrar na próxima vida. Como encontrei nessa.

(Abby Jimenez)

ato qualquer. {3}


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você já conseguiu abraçar a sua magnitude? eu falo de reconhecer e se sentir bem por ser quem se é. por anos eu lutei contra a minha própria existência, deixando que as infelizes vozes do passado me fizessem sentir vergonha por ser tanto. por mais que eu tentasse, a minha presença não passa desapercebida pelos locais que frequento. sou naturalmente um pessoa que se esparrama, ocupo os lugares e a atenção dos presentes, sempre na intenção de extrair o que cada um tem para oferecer. ao mesmo tempo que a minha voz se propaga pelo recinto e meus gestos atraem os olhares curiosos, meus ouvidos estão sempre atentos a ouvir e acolher. sempre fui um poço de segredos alheios, sejam dos meus amigos ou de desconhecidos numa fila qualquer. até ontem, eu sempre saí de casa com a (impossível) missão de ser só mais uma na multidão, mas em todas eu falhava miseravelmente e isso me trazia uma caminhada-de-vergonha ao retornar pro meu lar. achava que eu tinha sido demais, que mais uma vez eu tinha passado do ponto. até perceber que os retornos eram sempre positivos, os convites sempre estavam de volta e minha presença seguia sendo celebrada. deveria ter sido fácil, qual é o problema em ser uma pessoa expansivamente acolhedora? ainda bem que consegui reconhecer isso em tempo. em tempo de seguir me esparramando por onde eu passar, de seguir sendo a alma de algumas festas e ponto de segurança daqueles que em mim confiam. 

I'm still so strange and wild ♫



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há pouco tempo eu percebi porque eu demorei tanto para me enxergar como adulta - sim, a raiz desse problema nasceu no meu núcleo familiar, como (quase) todas as outras questões da minha existência. mas fato é que nossos traumas só vão prolongar suas amarras se a gente não tomar as rédeas da situação - algo que demanda um processo longo, sofrido e corajoso. 

mas quando meus olhos-adultos se abriram, eu percebi que não precisava mais das vergonhas que me acompanharam durante a adolescência. acho que esse é o melhor aprendizado: se permitir gostar do que te deixa feliz e não se importar com as opiniões externas. 

eu sou completamente não crítica com filmes/séries, se me prendeu o suficiente para eu não perceber a passagem do tempo, se teve uma trilha sonora condizente com as cenas, se me atravessou em algum lugar, se me fez fugir da realidade: eu gostei, ponto final. eu consigo gostar de trocentos gêneros musicais e me entregar ao vício que surgi quando eu adoto um/a cantor/a novo e obrigo o Eric a ouvir as músicas num loop infinito. (claro que não esqueço dos meu favoritos, que eu escuto como se fossem a primeira vez). devoro livros do gênero gemidão-do-zap e compartilho com pessoas próximas e estranhos na internet, porque ler romances é minha religião como leitora - mesmo que eu intercale com thrillers, mistério, fantasia, distopia, drama ou biografia. 

o meu entretenimento poderia ser apenas isso, mas a minha mente gosta de mergulhar nas coisas. buscar sentido - mesmo que ele nem exista de modo explícito -, às vezes, um livro "bobinho" me atravessa de tal maneira, que só falar dele com Eric não é suficiente e eu preciso levar pra terapia - sim, eu uso minhas leituras como pauta orientadora no meu processo terapêutico. músicas duvidosas me fazem questionar o sistema social que vivemos e como os preconceitos são alimentados diariamente.