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sua pressa e sua prece .


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Ela voltava de mais um dia de trabalho, como sempre jogando no celular e com as pernas pra cima do banco, foi quando ouviu uma voz dizer:
- sua mãe não te deu modos não?!
Já estava quase mandando a pessoa pra casa do baralho, quando viu de quem era a voz.
- isso só pode ser sacanagem do destino.
- também estou feliz em te encontrar.
- não, não venha se sentar aqui. tem vários lugares vagos.
Ele não se deu ao trabalho de responder, sentou-se do lado dela e pegou um fone pra colocar nos ouvidos.
- cadê a música?!
- acabou.
- uê, cadê a fita do outro dia?!
- comi.
- e foi difícil pra sair?!
- VOCÊ É UM IDIOTA, SABIA?!
- eu não sou surdo, sua louca.
O silêncio foi a resposta dela.
E assim seguiram viagem, ele sem saber pra onde ir e ela louca pra chegar em casa. Cada um com um fone no ouvido e sem música. Treze minutos se passaram e o silêncio foi quebrado pelo som da campainha que avisa que alguém queria saltar. Ela puxou o fone que estava na orelha dele e se levantou.
- prazer, Martina Eva.
Logo em seguida, ela jogou uma fita no colo dele e saltou.

O último encontro.

closer.


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O tempo pareceu voar e então alguém veio acordá-los. O coletivo havia chegado no ponto final e com isso ela tinha perdido a hora de saltar. Como ele tinha o sono mais leve, logo acordou e percebeu que ela nem se mexia. Então, disfarçadamente ele soltou a mão dela e a cutucou.
- Por alguns instantes pensei que você fosse a encarnação da bela adormecida.
- Obrigada pela elogio.
- Acho que sonhei com você.
- Nem venha com essa, eu sonhei com você.
Daí, um grito veio do banco do motorista. Os dois saltaram e então ela gritou:
- COMO VIM PARAR AQUI?!
- Quem mandou dormir demais?!
- Você é um inútil.
- No meu sonho você era mais gentil.
- No meu sonho você era de mentira.
Ela então saiu andando e nem disse 'tchau'. Precisava entrar dentro de outro coletivo pra voltar, já que o ponto final ficava muito longe de sua casa. Ele não se mexeu, ficou olhando ela ir embora. Daí, ele lembrou de que precisava de informações sobre a tal cantora e correu atrás dela.
- Onde eu consigo uma cópia dessa fita?!
- Em lugar nenhum.
- Então me empresta a sua?!
- De jeito nenhum.
- Prefiro você dormindo.
- Pra ficar segurando minha mão e pesquisando sobre minha vida?!
Logo depois dela dizer isso, o coletivo veio e ela entrou sem olhar pra trás.

Haveria um próximo encontro (...)

Tá bom.


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Minutos depois ela pegou no sono e ele continuou ouvindo a música, que tinha uma letra engraçada e toda hora ele começava a rir. Foi quando veio o silêncio, só que ele não queria acordá-la e como o walkman estava em cima da bolsa dela, ele, cuidadosamente, levantou os dedos dela e trocou o lado da fita. Antes, ele deu uma olhada no adesivo, onde estava o nome da tal cantora e descobriu que era: Martina Eva. Achou o nome bem estranho e exclusivo, pois nunca tinha ouvido falar de alguém com um nome se quer parecido. 
Daí, ele colocou o lado B pra tocar e tirou o celular da mochila, resolveu acessar a internet, precisava saber mais sobre a cantora com voz marcante e suave ao mesmo tempo. Mas, infelizmente ele não encontrou nada, nenhum perfil no myspace ou video no youtube. Logo em seguida a ficha caiu e ele se perguntou: 'como uma pessoa que grava em fita cassete vai ter conta na internet?! Onde eu estava com a cabeça?!' 
Totalmente frustrado ele guardou o celular e ficou observando as mãos dela, unhas grandes e só com base por cima. Mesmo com todo balanço do ônibus, ela não acordava, continuava ali. Às vezes, esboçava um sorriso e ele não perdia nenhum movimento dos seus lábios ou de seus dedos.
Como ela estava dormindo, ele resolveu aproveitar, entrelaçou os dedos dele com os dela. Fechou os olhos e pegou no sono junto.

O próximo encontro seria nos sonhos (...)

something.


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Lá estava ela contemplando a visão do centro da cidade, pela janela do coletivo, quando uma mochila parou em seu colo. Logo em seguida deu de cara com os olhos negros - que mais pareciam duas jabuticabas - do rapaz que observava sua reação.
- SUA MÃE NÃO TE DEU EDUCAÇÃO?!
- o que custa segurar a mochila de um amigo?!
- QUE AMIGO?! EU NEM TE CONHEÇO.!
Ela falava tão baixo, que em poucos segundos a situação era o centro de todos os olhares do coletivo.
- pelo visto a sua mãe também não te deu educação.
- se continuar de graça, jogo esse troço aqui pela janela.
- tudo bem, tô calado.
Depois disso, ela virou novamente para janela. Foi quando sentiu uma mão gelada tocar sua nuca.
- que bonita sua tatuagem.
- você não sabe olhar só com os olhos não?!
- de fato humor não é faz parte da sua pessoa.
- continua de graça e sua mochila vai parar no asfalto.
- não tá mais aqui quem falou.
Ela então tirou um walkman da bolsa, trocou o lado da fita e fechou os olhos.
A senhora que estava sentada do lado dela se levantou e ele nem perdeu tempo. Sem olhar pro lado, ela jogou a mochila em cima dele. Ele então, tirou o fone da orelha dela e colocou na dele, queria ouvir o que saia daquela caixa-de-barata-antiga. Diferente do que ele esperava, ela só aumentou o pouco a música e se deitou no ombro dele.

A viagem estava só começando (...)