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página 042.
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te olho e o único pensamento que tenho é: obrigada, Deus!
te olho e o único pensamento que tenho é: NUM GUENTO MAIS, JESUS!
te olho e vejo todo meu futuro ao seu lado.
te olho e vejo o fim logo ali.
te olho e desejo que você seja sempre feliz.
te olho e desejo que encontre alguém pra te irritar eternamente.
te olho e minha única vontade é te beijar pra sempre.
te olho e minha única vontade é de bater a porta na sua cara.
te olho e me surpreendo com tamanha sagacidade.
te olho e me surpreendo com tamanha sonseira.
te olho e quero morar no seu abraço.
te olho e quero suas mãos longe de mim.
te olho e a emoção transborda por meus olhos.
te olho e a raiva transborda por meus olhos.
te olho e quero te olhar com todos os olhares dia após dia.
página dois.
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A tal cafeteria ficava a poucos passos dali, apontei o caminho e então ela me acompanhou. Como de costume, ela pegou no meu braço na hora de atravessar - outra mania permanente dela.
- É aqui.
Entramos e eu deixei ela escolher um lugar. Puxei a cadeira pra ela e me sentei logo em seguida.
- Você vem sempre aqui?!
- Só de segunda a domingo.
A garçonete trouxe os cardápios e ficou esperando. Sem olhar, ela disse:
- Confio em você, então o que iremos pedir?!
Levantei a cabeça e disse:
- O de sempre, em dose dupla.
Fiquei esperando ela perguntar o que eu sempre pedia, mas a pergunta não veio.
- Que horas você pretende responder as minhas perguntas?!
- Temos tempo?!
- Todo tempo do dia de hoje.
- Já que é assim ... eu estou muito bem, não me mudei pra cá e estou só de passeio. Satisfeito?!
- Quase. Esperava mais detalhes.
- Tem certeza?!
- Absoluta.
- Arrumei um emprego numa escola, onde eu trabalho na parte da manhã. Fiz alguns cursos. Hoje em dia, depois de receber um convite, moro numa casa muito bonita, onde eu dou minhas aulas e faço as reuniões dos jovens. Passei em um concurso público e agora estou esperando me chamarem. Quase um conto de fadas, né?!
- Defina quase.
- Eu só contei por cima, ou melhor, só contei as coisas boas. Não quero gastar o seu tempo me lamuriando. Agora é a sua vez.
- Eu terminei minha faculdade, participei de algumas pesquisas. Além disso, eu dou aulas em duas escolas. Comprei um apartamento e estou montando a minha biblioteca. Eu gostaria de ouvir suas lamurias.
- Uma outra hora, quem sabe.
- Posso perguntar sobre o convite que você recebeu?!
- Você é livre pra perguntar o que quiser.
Ela não tinha comentado nada sobre o tal rapaz com quem morava. Seu dedo esquerdo estava liso e sem marca de aliança, não queria deixá-la constrangida, mas a curiosidade era maior.
- Você ganhou uma casa na loteria?!
- Melhor que isso. O André voltou da Austrália e me chamou pra morar com ele.
Minha tentativa de manter o semblante foi totalmente frustada, pois o mesmo desmoronou na hora que eu ouvi o nome dele. Abaixei minha cabeça e logo em seguida ouvi o barulho das xícaras sendo colocadas em cima da mesa.
- Capuccino com creme e bolo de cenoura com cobertura de chocolate, como sempre, você acerta no pedido.
- Nem sempre.
- Impressão minha ou você ficou abatido com alguma coisa?!
- Deixa pra lá.
- Os anos se passaram e você não abriu mão dessa mania de fugir dos assuntos.
- Me desculpa. Mas isso não é da minha conta.
- Eu sei que isso não é da sua conta, mas, só pra constar, o André é só um amigo e nada mais. Sei que é difícil acreditar, mas é a verdade. E é aí que mora uma das minhas lamurias.
- Se é o que você diz, eu acredito em você.
- Obrigada.
página um.
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Era mais um dia de inverno, mas no lugar onde eu moro o inverno não é bem inverno e sim uma folga do sol escaldante. Então, resolvi ir caminhar na praia, gosto de sentir o vento gelado no rosto.
Foi quando meus olhos a avistaram, não acreditava que era de fato ela, passei as mãos nos olhos, limpei o óculos e olhei novamente. Sim, era ela. Senti que minhas pernas estavam bambas e minhas mãos estavam começando a gelar. Ela usava uma bermuda jeans desfiada, uma blusa com a estampa de um desenho animado, um chinelo preto, uma mochila, óculos de grau e cabelos ao vento. O lugar era estranhamente conhecido, já tinha ido lá com ela. A lembrança vagava pela minha mente, ou melhor, ocupava meus pensamentos.
Aquilo parecia mais uma cena de filme. Fiquei na dúvida se deveria ir até lá e conversar, talvez ela estava acompanhada, do namorado ou até mesmo do marido. Na última vez que tentei procurá-la, fiquei sabendo que ela havia se mudado e estava morando com um rapaz. Na ponta de minha língua havia várias perguntas, queria saber por onde ela andou, o que ela estava fazendo, o que ela tinha feito e por que sumiu. O medo era visível em meus olhos, mas mesmo assim me aproximei. Chegando por trás dela, eu disse:
- Olha só quem o vento me trouxe.
Assim que ela se virou, meus olhos brilharam e percebi que estava sorrindo.
- O vento nem sempre traz coisas boas.
Foi então que a tarde ganhou um brilho maior, assim que ela abriu o sorriso e deu uma gargalhada - pela qual eu sempre fui inteiramente apaixonado. Ela abriu os braços e me abraçou, um abraço calmo e forte. Seu cabelo tinha o mesmo cheiro e sua pele estava ainda mais macia. Eu teria ficado ali por horas, mas ela logo se afastou e me olhou nos olhos.
- Acredita se eu disser que estava te chamando pelo pensamento?!
- Talvez. Como você está?! Se mudou pra cá?! Tá só de passagem?! Veio sozinha?!
- Desse jeito você ficará sem ar, respira e faça uma pergunta de cada vez.
- Me desculpa.
Abaixei a cabeça e senti minhas bochechas queimar, não sei o que havia acontecido, ela sempre me fez perder o controle.
- Não tem problema. Eu estava com saudade.
- Posso fazer uma pergunta?!
- Você já fez.
Disse isso e fez uma careta. Não era possível, ela ainda era a mesma e com as mesmas manias.
- O que quer saber?!
- Veio com quem?!
- Ah, eu vim com a Ana, ela veio participar de um congresso e eu resolvi passear um pouco.
- Hum, ela está no congresso agora?!
- Está sim, por isso resolvi caminhar um pouco.
- Quer ir tomar um café comigo?! Conheço um ótimo lugar.
- Vai pagar?!
- Posso pensar no caso.
- Já é um começo. Quero sim.
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