domingo, 26 de maio de 2013

partículas.



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O amanhã só vem depois que eu durmo, do mesmo jeito que a tarde só aparece depois do almoço e bom dia é aceitável todas vezes que meus olhos são despertados. O chuveiro é ligado antes mesmo da roupa sair do corpo, a escova molhada antes do creme dental e a descarga vem antes e depois do uso. As mãos só ficam com sensação de limpeza de tiver sabão/detergente/sabonete e unhas pequenas é sinônimo de sujeira. Meia nos pés e eu já me sinto preparada para enfrentar o inverno narniano. Ventilador ligado e meu peito já fica constipado. Agenda telefônica ficou na outra era, cada um é o seu número e assim o desapego fica mais rápido. Café preto, forte e pouco açúcar. Chá-gelado no lugar da coca-cola. Pipoca só é pipoca se tiver grill com leite condensado. Chocolate fica mais saboroso quando compartilhado com um biscoito salgado. Papel velho, usado e rabiscado é mais valorizado que qualquer e-mail. Um abraço de verdade transmite toda paz que a alma procura. Convite para o cinema é de fato só um convite para cinema. A satisfação e a repulsa são vistas a olho nu. Jeans e camisa só perdem o cargo de melhor roupa para os pijamas. Cabelos ao vento são legais, mas o coque sempre terá o seu lugar em minha cabeça. Lentes de contato limpam o rosto, mas óculos é parte de quem sou. Fez barulho, mexeu com a alma e balançou o corpo é música. Animação é sempre sucesso. Caneca serve para se beber qualquer coisa. Lapiseira só se for zero-sete. Viajar não só pra conhecer lugar e sim se ajuntar. Mais cabeça dura que mula véia. Maliciosamente ingênua. Sono constante e gargalhada contagiante. Decidida como um camaleão-num-arco-íris. 


terça-feira, 21 de maio de 2013

ato trezentos.



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É como se tudo fosse ganhando forma, fazendo sentindo e a nuvem que cobria o passado se afastou. Hoje é claro perceber que o presente é apenas um reflexo do passado e se não for cuidado continuará se refletindo no futuro. Todos ao redor só julgam o que acham que conhece, é sempre assim. As pessoas não se lembram que cada ação gera uma reação, elas só pegam  a segunda parte e querem ir na janela tomando fresca. 
Durante muito tempo eu tentei dar sentido para esse quebra-cabeça (é com ou sem hífen? quem se importa?) que chamo de vida, faltavam peças e ... PIMBA! Hoje eu consigo entender melhor as minhas reações, na verdade eu sei as ações que deram início a tudo. Agora eu preciso reassumir o controle, mudar essa rota, curar minhas feridas e dar um jeito na vida (rimas-off). 
Tudo se acendeu tão depressa que tô com aquela cegueira passageira que rola quando a gente olha pro celular no meio da noite, sabe? Não consigo enxergar direito e muito menos pensar no que farei com minhas informações. Preciso colocar pra fora, me livrar desse grito mudo que eu carrego no peito há quase duas vidas. Eu deveria chorar, dizem por aí que alivia as dores, mas cadê que consigo? Estou mais seca que as terras do agreste e mais carente que um gato de três patas (tenho pra mim que essa raça é a mais carente do universo, na verdade eu não entendo de gatos e só queria enfatizar minha carência).
... (encontre aqui todas as palavras que eu não encontrei).

sexta-feira, 17 de maio de 2013

um minuto de atenção!





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Queria aproveitar esse momento e mandar beijas para você aí que inventou o chuveiro elétrico, tu não sabe o quão feliz eu fico ao entrar embaixo daquela água que parece que vai me escapelar a minha alma, esqueço e planejo a minha vida ali, enquanto a água vai escorrendo e levando as impurezas embora; beijas para você que inventou a bicicleta, porque ela me possibilita viver uma vida L0K4 no trânsito, entro na contra-mão, subo nas calçadas, furo os sinais e ainda me exercito - fazendo minha fama de rainha-da-preguiça perder força; beijas pra você que fez do chá uma bebida de verão, tirando aquela fama de que chá é coisa para gente velha e friorenta; beijas para você que descobriu antes de mim que açaí com leite em pó fica bem mais saboroso e que misturando tudo isso ao morango ele quase se torna um belo manjá; beijas para você lindo que inventou o telefone, porque depois do abraço o telefone é um ótimo jeito de matar a saudade e amenizar a dor que é a distância; beijas para você que na falta do que fazer inventou as fórmulas matemáticas que hoje são minha fonte de sustento; beijas pra senhora minha avó que tem sempre os melhores conselhos, até quando fica de boca fechada; beijas também procê que inventou o rádio e me tornou uma viciada em músicas ruins; beijas é claro para a mente brilhante que criou esse lance de blog, que faz qualquer um acreditar que é escritor - tipo eu - e abre várias portas de amizades; beijas para a pessoa que criou as meias, eu realmente não sei como eu iria dormir se não tivesse algo macio nos meus pés; beijas em você que com muito amor no coração fez alguma mistura errada e deu origem ao brigadeiro, que me ajuda nos dias de tmp e nas reuniões femininas das quais eu nunca participei; beijas principalmente em você que ficou aqui lendo sáscoisas como se eu estivesse no programa da xuxa ou coisa semelhante.
obrigada,
fim.

sábado, 4 de maio de 2013

condicionar a dor.

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e esse é o nosso mês de aniversário. há cinco anos você apareceu para mudar a minha vida e trazer uma chama de esperança de que as coisas poderiam dar certo. o tempo foi passando, o sentimento crescendo e com ele os problemas. no início a  gente ignora tudo e segue em frente, mas acho que o nosso início já teve fim. teve fim quando as desconfianças começaram e as cobranças vieram na garupa. não, eu não irei te culpar, me justificar ou me desculpar. eu sou assim, amo e me apaixono todos os dias. depois de você eu amei mais de mil, mas nenhum deles impediu o meu sentimento por você de acontecer e sobreviver. quando eu disse que estava disposta a te esperar eu estava falando sério, só não podia te esperar sozinha. a gente se dava tão bem, mas daí o ciúmes chegou e foi devastando tudo. você foi ficando cada vez mais desconfiado e com isso eu me via na obrigação de esconder as coisas de você. eu sei que não é certo, mas era isso ou uma discussão nova a cada conversa. no começo você era meu amigo, aquele pra quem eu podia contar meus segredos/medos/pecados e daí você quis o cargo de futuro marido. eu também queria que você assumisse o cargo, não consigo imaginar um marido melhor, mas se comportar como marido antes do casamento não era o que a gente precisava. teríamos tanto tempo para isso, para fidelidade, para singularidade e todas aquelas outras coisas de casais, por que diabos tu colocou o carro na frente dos bois? você é a minha lembrança favorita, a minha trilha sonora e o amor que eu sempre esperarei ter. adeus, você.