sábado, 7 de fevereiro de 2015

não é uva e passa.




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se a gente não se vigiar acaba por se perder. os primeiros dias de distância gritam a saudade tão alto em nossos corações que nossos olhos ficam cegos. mas o correr dos dias a mais parecem abafar esse som e daí se a gente não vigiar acaba por se perder. esquecemos de voltar, deixamos de procurar e por fim deixamos pra lá. em primeira estancia toda dor é sentida, mas como somos animais estranhos a dor com o passar das estancias se torna aceitável e indolor, se a gente não vigiar acaba por se perder e viver com uma dor aqui e um hematoma ali. o cheiro da saudade misturado com a falta pode ser comparado com o aroma suave que um caminhão de lixo exala. novamente a nossa natureza estranha entra em ação e torna esse cheiro dantes insuportável em uma coisa inodoro e o pior: agradável. daí se a gente não vigiar acaba por se perder. deixamos de nos lavar no outro, não renovamos a limpeza dos trajes ou até nos conformamos com a nudez que o outro deixou. isso tudo acontece tão lentamente, tão embaçadamente e continua na mente. 

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