domingo, 31 de outubro de 2010

ato vinte-dois.


# Vou vestir minha armadura e gritar por paz.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

something.


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Lá estava ela contemplando a visão do centro da cidade, pela janela do coletivo, quando uma mochila parou em seu colo. Logo em seguida deu de cara com os olhos negros - que mais pareciam duas jabuticabas - do rapaz que observava sua reação.
- SUA MÃE NÃO TE DEU EDUCAÇÃO?!
- o que custa segurar a mochila de um amigo?!
- QUE AMIGO?! EU NEM TE CONHEÇO.!
Ela falava tão baixo, que em poucos segundos a situação era o centro de todos os olhares do coletivo.
- pelo visto a sua mãe também não te deu educação.
- se continuar de graça, jogo esse troço aqui pela janela.
- tudo bem, tô calado.
Depois disso, ela virou novamente para janela. Foi quando sentiu uma mão gelada tocar sua nuca.
- que bonita sua tatuagem.
- você não sabe olhar só com os olhos não?!
- de fato humor não é faz parte da sua pessoa.
- continua de graça e sua mochila vai parar no asfalto.
- não tá mais aqui quem falou.
Ela então tirou um walkman da bolsa, trocou o lado da fita e fechou os olhos.
A senhora que estava sentada do lado dela se levantou e ele nem perdeu tempo. Sem olhar pro lado, ela jogou a mochila em cima dele. Ele então, tirou o fone da orelha dela e colocou na dele, queria ouvir o que saia daquela caixa-de-barata-antiga. Diferente do que ele esperava, ela só aumentou o pouco a música e se deitou no ombro dele.

A viagem estava só começando (...)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

(pro)fundo.


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# na escala dos sentimentos, o amor não fica no topo e sim na base.

domingo, 24 de outubro de 2010

ato vinte.


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Sou carente de atenção, desprovida de emoção e não sei fazer rima. Tô experimentando começar um texto sem assunto e ouvindo repetidamente uma mesma música. Jogando palavras e tentando conjugar os verbos no tempo correto. Sempre fui péssima em geografia e nunca consegui entender a biologia, daí sempre me joguei nos números. Me esquecendo que a vida é feita de letras e composta de orações. Busco sempre pelas coisas obvias e não enxergo o que tá embaixo do meu nariz. Quando não quero conversa, caminho sem óculos e coloco a música no volume máximo. Prefiro passar um dia na cama do que na rua, me tornei a pessoa mais bicho-do-mato que conheço. Pago de compreensiva e tô sempre de 'mimimi'. Não falo de política e nem tenho time de futebol favorito. Minha inocência é totalmente dependente do horário ou do estado de humor. Nunca fui constante, principalmente se o assunto for cor ou música. Nunca deixo uma playlist correr, sempre repito alguma música, pulo outra e adianto. Sem a menor intenção acabei falando de mim, assunto que eu mais gosto e sempre fujo. Deixo todos me olharem por dentro, mas não são todos que conseguem enxergar além das aparências ou gostos musicais. Respondo pergunta com pergunta e dou respostas curtas e generalizadas. Estou aqui pensando em como terminar tudo isso, acho que um ponto é suficiente.

# abra os braços, que aí vou eu.


eu preciso.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

ensaio sobre a cegueira.


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Dizem que o amor é cego, e eu digo que acredito cegamente nisso. 
Não estou dizendo que quando amo - ou estou apaixonada por alguém - eu não vejo os defeitos dela ou até mesmo a falta de beleza. 
A minha cegueira é outra.
Acabo reparando, notando, desejando e sonhando somente com a pessoa amada. Aquela que por enquanto tem domínio sobre meus sentimentos e desejos carnais. Não me importa se é baixo ou gordo, se o amor entrou no jogo, já era.! Pode passar um alto e magro, que meu coração continuará batendo no ritmo normal.
Por mais que as pessoas ao meu redor tentem abrir (?) os meus olhos, qualquer trabalho e ladainha será jogado no lixo, pois cegueira é algo que só o tempo cura - ou não.
Ainda não sei se fico cega no primeiro encontro ou então depois de meses de convivência. Talvez seja a segunda opção. A visão vai ficando embaçada aos poucos, o brilho daquele sentimento é que te cega. Fazendo você só notar e se importar com ele.
Não fique triste, aproveite o seu momento, aproveite o sentimento e por que não aproveitar a cegueira?!
Por isso que quando alguns relacionamentos chegam ao fim, alguns se perguntam: - o que eu vi naquela pessoa?! Você estava cego/a, beibe. 
Quando sua visão se abre, você começa a notar/cobiçar outras pessoas, até a próxima cegueira chegar.

# não sei explicar, só sei sentir.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

um dedo de prosa [27]


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Ela: aceita uma água?!
Ele: não, obrigado.
Ela: aceita um café?!
Ele: não, obrigado.
Ela: aceita um suco?!
Ele: não, obrigado.
Ela: aceita alguma coisa?!
Ele: um beijo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

meu ponto de vista.

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hoje eu dormi e sonhei.
sonhei que o futuro se fazia presente.
presente esse que eu tanto esperei.
esperei porque era a única coisa que podia fazer.
fazer, enquanto somente o que existia era passado.
passado com trocentas lembranças.
lembranças felizes e doces.
doces como o algodão.
algodão que sempre cobre o céu.
céu cinza que sempre me lembra você.
você, que então se tornou o meu hoje.
hoje que começa com sonho.
sonho que se torna presente.
presente que se torna real.
real que eu aprendi a esperar.
esperar pra que um dia pudesse fazer.
fazer valer o passado.
passado que dantes era lembrança.
lembrança, que rima com esperança e é doce.
doce que hoje deixou de ser só um algodão.
algodão que não só cobre o céu.
céu que hoje me trouxe você.
você.

- tudo se completa de algum jeito.
(08/11/09)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

ato dois.


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o preto e branco sempre chamou a minha atenção. tudo bem que eu gosto do colorido, mas o preto e branco parece ser tão original, sabe?!
não sei quem inventou as cores, mas desde que elas passaram a existir o preto e branco caiu no esquecimento. não estou dizendo que tal pessoa fez errado, até mesmo porque o colorido às vezes se faz necessário.
o preto e branco representa o simples. algo discreto.
o preto e branco tem um charme diferente.
o preto e branco não chama a atenção, mas prende a minha atenção.
o preto e branco deixa a foto mais bonita.
o preto e branco me deixa ver além da aparência 'perfeita'.
e é através do preto e branco que eu tenho visto você, com todas as falhas e erros, não fique preocupado, pois só quando descobrimos a verdade é que o sentimento se torna real. não garanto que esse sentimento irá durar ou se manifestar todos os dias, mas uma coisa é certa, ele existe agora, e isso é o que importa pra mim.

# necessário é ter opções.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

ato dezessete.


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Não sei você, mas eu tenho o (mal) costume de sempre colocar fones quando coloco o pé na rua, seja pra caminhar ou pra passear de ônibus. Talvez seja o alto nível de egoísmo existente dentro de mim ou talvez seja pelo fato de que gosto de ter sempre uma trilha sonora. (que seja)
Fato é, que por conta disso estou sempre presa no meu mundinho (musical), ouvindo só o que me agrada e livre dos barulhos indesejáveis que os outros fazem ao meu redor.
Sexta, eu resolvi abrir uma janela - tirar um dos fones - e comecei a conversar com um estranho, quer dizer, com o vendedor de paçoca/jujuba - eu resisto a qualquer liquidação de shopping, mas quando o assunto é jujuba/paçoca sou capaz até de fazer um empréstimo pra comprar, afinal de contas 6 paçocas ou 4 pacotes de jujubas por R$1,00 é uma tentação que eu não resisto. Não, ele não era bonito e tinha cara de pai de família. Falamos sobre o calor que estava fazendo por aqui - mesmo sem a presença, visível, do sol -, comentei com ele que eu era um bicho-do-mato - ele gentilmente disse que eu era apenas caseira -, ele disse que não gostava do horário-de-verão - diz que o dia passa rápido demais -, lhe contei que eu estava afim de ir na praia - ele riu e disse que eu realmente estava precisando -, e por fim o assunto foi eleição - confessei que odeio o assunto e ele disse que gostaria de ver o país sendo governado por uma mulher.
Logo em seguida, ele deu sinal e me desejou 'bom final de semana'.
Talvez ele nem se lembre mais de mim, talvez eu tenha sido só mais uma consumidora ou talvez o contrário tenha acontecido. Em diálogo de ônibus não rola mentira, ninguém precisa sair do anonimato, ninguém precisa provar e comprovar nada.
Às vezes, quando aqui dentro faz frio e chuva, lá fora podemos encontrar um sol ou então um guarda-chuva, necessário é só abrir um pouquinho da janela.

# na matemática-da-vida, menos é sempre mais.

sábado, 16 de outubro de 2010

um dedo de prosa [26]


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Ela: estamos sempre discutindo.
Ele: já percebi isso.
Ela: talvez a graça mora aí, nas discussões.
Ele: talvez.
Ela: pelo menos temos graça.
Ele: temos mais coisas, só que moram em outro lugar.
(...)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

des(ordem)


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Hoje eu acordei com vontade de colocar minha vida em ordem, e como sempre comecei pelo meu guarda-roupa. Pode parecer até estranho, mas a minha vida é muito semelhante ao meu guarda-roupa, do mesmo jeito que a sua se assemelha ao seu, entendeu?! (que seja)
O primeiro passo - o mais importante - é: a vontade. Depois é só chegar chegando, tirando tudo de dentro e colocando em cima da cama, da mesa do computador, da cadeira ou até mesmo no chão. Não sei você, mas eu consigo tirar tudo numa velocidade bem grande, nem olho o que tenho na mão. Quando vejo o guarda-roupa liso e vazio, penso: agora sim, é hora de colocar a mão na massa. 
Pego um pano qualquer pra tirar a poeira e as teias de aranha. Até então, tudo muito bom e tudo muito fácil, o bicho pega e o medo apega no próximo passo: separar o que serve e que não serve mais, o que merece voltar pra dentro do guarda-roupa e o que será jogado fora, abrir mão de algumas notas fiscais e caixas vazias. O momento é de decisão e cada escolha feita, será sem volta, pois o lixeiro vem e carrega tudo.
Eu tenho uma coleção de caixas de sapato, uma coleção de latas de nescau, uma coleção de caixinhas de tic-tac, uma coleção de chaveiros, pra resumir: eu coleciono coleções. Sempre que é dia de organização no recinto, troco todos de lugar, mas  nunca abro mão de nada. Quer dizer, nunca até hoje, quando resolvi abrir mão das caixinhas de tic-tac e das notas fiscais da padaria.
Fato é que jogar algo fora, seja do nosso guarda-roupa ou da nossa vida, não é fácil. Não sei você, mas eu tenho um sério problema com isso, nunca estou pronta pra dizer: - adeus/até nunca mais. Nesse momento não é necessário só coragem, é preciso uma dose maior de insanidade, fazer a coisa sem pensar muito ou até mesmo sem pensar. Talvez o arrependimento venha esmurrar a sua porta, daí é só você colocar uma música no último volume e pensar que o novo em breve chegará.
Lembre-se: o assunto aqui é o guarda-roupa, do coração falaremos em outra ocasião.

# às vezes, só (boa) vontade não basta.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

em-cena-ação.


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Vou aproveitar a situação e jogar mais uma teoria-barata no ventilador, e se pegar em você, lembre-se que a culpa não é sua e nem minha. 
Hoje, quando cheguei da casa do meu aluno e olhei pra mesa do computador, sentir um beliscão na alma e no coração. O que eu mais temia aconteceu: Carlos Eduardo, morreu. (a rima saiu sem querer)
Pra quem não sabe, Cadu era meu peixe de estimação. Pra quem sabe menos ainda, eu prefiro ter um peixe do que um gato ou um cachorro. Tem quem diga que peixe é sem graça, mas eu vejo toda graça naqueles seres pequeninos e coloridos, afinal criança vê graça em tudo, né?!
Por mais que eu tente negar, a culpa foi minha, porque deixei o egoísmo e o depois-eu-faço tomar conta da situação. Não cuidei de Carlos como devia, e faço o mesmo com alguns relacionamentos.
Quando um relacionamento acaba, não sei você, mas a primeira coisa que faço é jogar a culpa pra cima do/a outro/a, só que a verdade sempre aparece pra estragar a festa da ilusão e da mentira. Vou reconhecendo cada passo em falso que dei, cada palavra de conforto que guardei, cada beijo e abraço que eu deixei pra depois, cada erro e cada defeito.
O pior papel, no teatro da vida, é o de vítima. Preciso dizer que esse papel não combina com o tom da minha pele?! Não direi que é preferível ser vilão ou até mesmo herói, a verdade é que ninguém pode ocupar um mesmo papel o tempo todo. 
Fato é, que precisamos aceita que se hoje somos alvos de elogios e aplausos, amanhã os aplausos podem virar pedras e os elogios podem se transformados em críticas. Não se preocupe, todos nascemos prontos para isso, basta descobrir.

# é um ciclo vicioso, impossível de segurar.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

ato cinco.


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O dia era de sol forte, céu azul, passarinhos cantavam, crianças brincavam, o som predominante era o som da alegria. Alegria demonstrada com canções, com risos, piadas e saltos.
Talvez tudo isso era só a uma manifestação da felicidade. 
Fato é, que felicidade demonstrada é outra coisa, felicidade compartilhada é comprovada e provada por vários. Eu estava no meio da festa, eu estava entre a festa e participava de tudo.
Foi quando senti vontade de chorar. Sim, lágrimas - infinitas - jorravam de meus olhos castanhos. Ninguém entendeu nada, enquanto alguns gargalhavam alto, eu chorava. 
Pois é, cada um tem o seu modo particular de demonstrar alegria, de torná-la palpável e visível, as lágrimas eram minhas demonstrações concretas. Tem quem as veja só como sinal de tristeza ou infelicidade, talvez tenham razão, mas toda exceção necessita de uma regra, ou vice-e-versa.

- meu caminho só meu Deus pode guiar.

ato treze.

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Minha amiga diz que eu sempre aparento tá bem, de fato é verdade. Procuro manter o sorriso colado no rosto e sempre tenho uma piadinha idiota pra fazer, mesmo quando o momento é o mais crítico. Talvez você não tenha prestado atenção numa palavra, a qual é a mais importante de todas: aparento. Aparências enganam e todos estamos carecas e cabeludos de saber isso, né?! 
Você pode chegar aqui, lê um, dois ou quatro textos, sair daqui com a sensação de que a autora é uma adolescente que está descobrindo a arte de viver, a arte de se apaixonar e que vê o mundo através de um óculos-cor-de-rosa, talvez você esteja certo/a, mas não tem razão. Tá certo que meu óculos é rosa, mas não quer dizer que ele mude a realidade das coisas, infelizmente. 
Sempre gostei de falar de mim, dos meus estranhos e bizarros gostos, das minhas preferências, de músicas, da vida alheia e sobre novela/seriado/filme/livro. O problema é que eu não me resumo nisso, não sou só isso. Tenho família, tenho raíz e tenho origem, mas que pra alguns são como se eu não tivesse. Nunca gostei de falar da minha família, não por ter vergonha ou coisa do tipo - confesso que na minha adolescência rolou isso, mas hoje em dia não -, mas acho que família é assunto particular e só meu. Às vezes, compartilho algumas coisas com meus amigos e com estranhos também, são poucas se comparadas aos tantos acontecimentos.
Família é meu ponto fraco, aquele que se alguém tocar de qualquer jeito faz um buraco enorme na minha alma, na minha carne e no meu coração. Vejo tanta gente reclamando da família, falando mal do pai ou do tio, xingando a avó ou a tia que mora longe. Cara, isso é ridículo e nojento, tenho nojo de pessoas assim, pois só quem não tem família sabe o valor que uma tem. Mesmo quando ela é cheia de problemas e mazelas. Quem é perfeito?! Quem faz tudo direito e na hora certa?!
Nos últimos anos eu tenho aprendido muito, eu tenho vivido e sentido coisas inéditas e exclusivas minhas. Já perdi as contas de quantas vezes comecei a chorar no meio da rua, assim, sem motivo aparente. Nem me lembro qual foi a última semana em que dormi totalmente em paz, vivo preocupada, vivo sem saber o que fazer e se tenho algo pra fazer. 
O fato de não reclamar sempre, o fato de querer enxergar o lado bom das pessoas, o fato de me apaixonar todos os dias por estranhos e conhecidos, o fato de criar teorias, atos e prosas, não fazem de mim uma pessoa sem problemas.
A vida é feita de escolhas, algumas vezes, você tem duas opções e em outras você tem três ou cinco, cabe a você escolher. Estou sempre fazendo escolhas erradas, estou sempre escolhendo o lado errado e estou sempre voltando. Voltar não é sinal de vergonha, pra mim, é sinal de coragem. Começar de novo, tentar de novo é necessário. E eu escolhi viver assim, não de aparências, pois isso aqui é só uma ponta da minha moeda. 
Já vemos tantas desgraças por aí, tantas histórias tristes, tantas reclamações e tantas revoltas, não me darei ao luxo de ser só mais uma. Não gosto de gastar as pessoas com problemas que são meus. E enquanto eu pensar assim, vou continuar procurar postar textos bregas e apaixonados, dedos de prosas reais e fictícios, teorias baratas e vividas. Porque, quando a casa é sua, as regras também são suas.
Espero de coração que ninguém perca tempo lendo isso aqui, por isso fiz questão de deixá-lo bem grande, mas se você chegou até aqui, sem pular nenhuma frase, parabéns e pegue seu prêmio na saída.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

vontade/idade.


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Vontade.
vontade que vem.
Idade.
idade que convém.

Vontade.
vontade que fica.
Idade.
idade que complica.

Vontade.
vontade que sai.
Idade.
idade que cai.

Vontade.
vontade que reluz.
Idade.
idade que traduz.

# você não precisa provar, só demonstrar.

de grão em grão.


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aos poucos estou aprendendo a não ter medo. aos poucos estou aprendendo que nem sempre haverá sol, mesmo quando a estação predominante é o verão. aos poucos estou aprendendo que chuva é algo que só vem em certos momentos. aos poucos estou aprendendo que confiar nas pessoas é uma escolha de risco. aos poucos estou aprendendo a gostar sem esperar. aos poucos estou aprendendo que o melhor sorriso é aquele que nasce depois de um choro. aos poucos eu estou aprendendo a andar sem receio de cair. aos poucos eu vou vivendo uma vida clichê. aos poucos  estou deixando a música me levar. aos poucos estou criando e destruindo teorias. aos poucos estou vendo que nem todos se importam. aos poucos estou enxergando além do passado. aos poucos estou deixando de sentir saudade do futuro. aos poucos, bem aos poucos.

- derrube um coração, quebre um nome.


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

aroma.

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Ontem, eu ganhei e comprei um livro. Não sei você, mas eu amo cheiro de livro novo, quer dizer, eu gosto de cheiro de novo. Seja de livro, caderno, agenda, caneca ou caneta. É um cheiro que não dura muito, porque o dia-a-dia vai levando o cheiro de novo embora e trazendo o cheiro de ... não, não direi cheiro de velho, porque desse cheiro eu não gosto. Vou dizer então, que com o passar dos dias, os objetos vão ganhando um cheiro diferente, cheiro de lembrança, cheiro de sentimento, cheiro de recordação e por aí vai. Assim, como os objetos, os relacionamentos também tem cheiro. No começo, cheiro de novidade, cheiro de mudança, cheiro de desconhecido, cheiro de vontade e cheiro de curiosidade. Com o passar dos dias, o relacionamento ganha cheiro de saudade, cheiro de recordações, cheiro de alegria, cheiro de conquista, cheiro de companheirismo, cheiro de cumplicidade, cheiro de compartilhamento e cheiro de amor. Há também cheiros ruins, mas não quero falar sobre eles, pois eu gosto é do lado bom das coisas e das pessoas.

# destino traçado, só aguardo pelo contorno.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

pro(fundo)


# o amor, talvez, seja uma valsa que eu ainda estou aprendendo dançar.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

encaixe.

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você me ama.
eu te quero.

eu te cobiço.
você me quer.

você me cobiça.
eu te amo.

# o segredo é a verdade que encontrei.

entrevista.

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quem nunca comeu ração de cachorro?! quem nunca furou o olho de alguém?! quem nunca fingiu um dor de cabeça pra não ir pra aula?! quem nunca ligou pra mãe pra conseguir matar umas aulas de historia?! quem nunca tomou banho de chuva com roupa branca?! quem nunca levou um banho de lama?! quem nunca tomou água no bico da garrafa?! quem nunca colou na prova de geografia?! quem nunca copiou a redação da cdf da sala?! quem nunca mijou no banho?!quem nunca tentou tocar o céu?! quem nunca fez chantagem com o irmão?! quem nunca quis sair de casa depois de uma briga com os pais?! quem nunca pensou em se mudar para outro país?! quem nunca quis ser famoso?! quem nunca desejou um pote de sorvete no inverno?! quem nunca tomou banho de roupa jeans na praia?! quem nunca catou tatuí na praia de noite?! quem nunca rolou na areia e ficou 'empanado'?! quem nunca beijou um desconhecido?! quem nunca namorou escondido?! quem nunca se apaixonou pela pessoa 'errada' ?! quem nunca partiu um coração?! quem nunca foi falso?! quem nunca roubou no banco imobiliario?! quem nunca mentiu no status do msn?! quem nunca copiou uma coisa de alguém?! quem nunca imitou o famoso da 'tevelisão' ?! quem nunca mandou sms pra pessoa errada?! quem nunca disse besteira?! quem nunca disse um 'te amo' falso?! quem nunca lavou a boca depois de um beijo?! quem nunca treinou o beijo na parede?! quem nunca chorou vendo novela?! quem nunca escreveu uma carta e não entregou?! quem nunca perdeu uma oportunidade boa?! quem nunca durmiu um dia todo?! quem nunca dançou até o chão?! quem nunca cantou um 'embromeichon' debaixo do chuveiro?! quem nunca fez bolha de sabão chupando shampoo?! quem nunca riu com a piada do pintinho?! quem nunca perdeu uma noite de sono pra ficar na net?! quem nunca foi pra praia com chuva?! quem nunca engoliu um caroço de uva?! quem nunca dormiu por cima dos cadernos?! quem nunca olhou as respostas na parte de trás do livro de matemática?! quem nunca teve um romance virtual?! quem nunca abandou um livro pela metade?! quem nunca foi no cinema sozinho?! quem nunca mijou na piscina do quintal?!

- atire a primeira pedra.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Vivendo e Aprendendo.



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O azul do céu ficou mais vivo e intenso. A asa daquela borboleta tá mais verde que ontem. Meus olhos ganharam um brilho constante. O sorriso se estampou e ficou. Àquela música não é tão melosa assim, agora ela completa minha playlist. As mariposas não fazem festa só na boca-do-meu-estômago, elas tem passeado pelo meu corpo todo, sou capaz de dizer que elas brincam até com a minha alma. Tudo ficou com um tom a mais. Tudo ficou com um colorido a mais. Meu coração não bate mais, ele dança.


- se teve começo, que (não) tenha fim.

domingo, 3 de outubro de 2010

ato sete.

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melão
casar
tango
mamão
rezar
morango
feijão
amar
orangotango  

# não é necessário ordem, só desejo.

sábado, 2 de outubro de 2010

Cotidiano.


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Aproveitando a minha fase de construção, venho aqui compartilhar mais uma teoria barata ou talvez seja só uma conclusão que eu cheguei enquanto conversava com o Jota - sim, ele teve participações mais do que especiais em tudo o que irei dizer - no msn.
Uma vez, um amigo me disse que o amor que ele sentia por mim tinha sido soterrado pelas coisas que aconteceram entre a gente. Desde então, vejo cada relacionamento como uma construção, alguns são tão grandes que viram palácios - com direito a muito ouro (amor) e um jardim (carinho) -, alguns são simples, como casebres - apesar do tamanho, são aconchegante (sinceros) -, alguns crescem tanto que se tornam um verdadeiro edifício - cada andar traz uma história (alegria) e uma lembrança (música) -, e por aí vai. 
Como todos sabem, no começo tudo é muito bom e tudo é muito lindo, só que o dia-a-dia vem, o sol (discussão) aparece forte e a chuva (mágoa) cai. Ou seja, os defeitos vão aparecendo, são aqueles que só percebemos com a convivência. Nossa primeira ideia (nada) brilhante é de tentar dar um jeito, passar uma argamassa ou então um reboco por cima - leia-se tapar o sol com a peneira -, fazemos vista grossa. Afinal de contas, construir algo - com alguém - não é nada fácil e não acontece da noite pro dia, né?!
Não julgo quem joga nesse time, porque eu jogava/jogo nele também.
Só que, a partir de hoje, vou deixar tudo desabar. sim, quero ver tudo no chão, quebrado e despedaçado. jogarei o que não presta fora, deixarei a poeira abaixar e quem sabe tentar construir algo novo com o mesmo alguém. Começar de novo é necessário, começar de novo com o mesmo alguém é benção.

# quem não tem razão, fica com a emoção.

Habi.tação

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Dizem que pra curar um amor-mal-amado a melhor coisa a se fazer é arrumar um novo, quem me conhece sabe que eu não jogo nesse time - porque de fato eu gosto de ser-do-contra.
Não sei o seu, mas o meu coração é tipo um terreno - que até que chegue um sem-terra - baldio.
Daí, que aparece um - às vezes, dois/três/... - e começam a capinar, vão arrancando as ervas daninhas (mágoas), vão retirando os entulhos (malditas lembranças), tirando a poeira (traumas), e por aí vai. Sim, fazem uma limpeza completa, porque eu estava ocupada demais - chorando e me lamuriando -, para fazer o serviço de limpeza.
Passa um tempo e lá está meu terreno (coração) servindo de abrigo para o seu mais novo morador. Não cobro aluguel - talvez isso seja um erro - e nem imposto. É tudo de graça, ainda ofereço roupa lavada e comida na mesa. Aparentemente, ninguém pode reclamar, mas é só aparentemente. Pois, quem conhece as infiltrações e as goteiras no telhado é o morador.
Algumas estadias demoram mais que outras, alguns ficam com preguiça de limpar o terreno, outros não querem morar em casebres velhos e usados, tem o time que prefere só olhar de longe e alguns que vem e ficam - eu ainda espero por esse.

# enquanto você coleciona problemas, eu coleciono vontades.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010