terça-feira, 29 de novembro de 2011

frase. /doze.



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# por mais especial que seja o pão, ele sempre vai precisar de uma manteiga.

domingo, 27 de novembro de 2011

faixa 26.




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- Meu bem,
saudade é pra quem tem. ()

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

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Estava tudo quieto demais, o silêncio fazia mais barulho que a buzina do moço das empadas. A ordem parecia está em ordem. Foi quando a verdade apareceu, numa simples atualização de rotina. Com uma velocidade descabida, a mesa virou e o jogo voltou ao seu estado original. As primeiras perguntas feitas não procuravam solução, muito menos alívio. Elas queriam cutucar a fera, ressuscitar o que parecia morto. Para isso que certas perguntas existem. As respostas encontradas nunca são as que nos satisfazem. Diria que até um ‘porque sim’ teria mais valor e seria melhor aceito diante daquela zona. A verdade é que não existe verdade, tudo não passou de uma brincadeira de cabra-cega. Onde o cego somos nós e a cabra é a esposa do bode.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ato cento e quatro.



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Um encontro casual se tornou frequente e rotineiro. Quem poderia apostar que daquele rápido encontro iria brotar um relacionamento sólido e duradouro?! Confesso que até eu tive as minhas dúvidas. Não me culpe, porque hoje em dia nada dura, muito menos relacionamentos. É só olhar para os lados, ou então para esses blogs da vida, que você encontrará gente reclamando e dizendo que está só na solidão. 
Sou da tribo que qualquer silêncio é desculpa para fazer tempestade em gota d'água, é isso mesmo. Me mandou um 'hm' depois que eu escrevi um texto, logo penso: NÃO ME AMA MAIS. E haja lenço de papel pra limpar as melecas que se misturam com as lágrimas - sô nojenta. Um dia longe e meu coração já batuca o samba da saudade. É sempre assim e às vezes o samba cai no esquecimento, para que eu possa seguir em frente. 
Daí, outro dia se passa e lá está a outra banda do relacionamento. Me mostrando que tudo não passou de um equivoco e que eu deveria deixar minhas paranoias de lado. Tudo continua a ser como sempre foi. A intimidade está intacta, sem nenhuma rachadura ou brecha. A cumplicidade vestindo a roupa de todos os dias. E o afeto estreando a roupa que usou no primeiro encontro.
Fato é que cada um tem um relacionamento assim, daqueles que acontecem para sempre - mesmo com a distância, mesmo com a ausência, mesmo com o silêncio, mesmo com as pausas - e pronto cabô. Se você diz que não é porque você é um/a bundão/bundona orgulhoso/a, simples assim.

# quem vê cara, não conhece a coroa.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

página dois.




A tal cafeteria ficava a poucos passos dali, apontei o caminho e então ela me acompanhou. Como de costume, ela pegou no meu braço na hora de atravessar - outra mania permanente dela. 

- É aqui. 

Entramos e eu deixei ela escolher um lugar. Puxei a cadeira pra ela e me sentei logo em seguida. 

- Você vem sempre aqui?! 

- Só de segunda a domingo. 

A garçonete trouxe os cardápios e ficou esperando. Sem olhar, ela disse: 

- Confio em você, então o que iremos pedir?! 

Levantei a cabeça e disse: 

- O de sempre, em dose dupla. 

Fiquei esperando ela perguntar o que eu sempre pedia, mas a pergunta não veio. 

- Que horas você pretende responder as minhas perguntas?! 

- Temos tempo?! 

- Todo tempo do dia de hoje. 

- Já que é assim ... eu estou muito bem, não me mudei pra cá e estou só de passeio. Satisfeito?! 

- Quase. Esperava mais detalhes. 

- Tem certeza?! 

- Absoluta. 

- Arrumei um emprego numa escola, onde eu trabalho na parte da manhã. Fiz alguns cursos. Hoje em dia, depois de receber um convite, moro numa casa muito bonita, onde eu dou minhas aulas e faço as reuniões dos jovens. Passei em um concurso público e agora estou esperando me chamarem. Quase um conto de fadas, né?! 

- Defina quase. 

- Eu só contei por cima, ou melhor, só contei as coisas boas. Não quero gastar o seu tempo me lamuriando. Agora é a sua vez. 

- Eu terminei minha faculdade, participei de algumas pesquisas. Além disso, eu dou aulas em duas escolas. Comprei um apartamento e estou montando a minha biblioteca. Eu gostaria de ouvir suas lamurias. 

- Uma outra hora, quem sabe. 

- Posso perguntar sobre o convite que você recebeu?! 

- Você é livre pra perguntar o que quiser. 

Ela não tinha comentado nada sobre o tal rapaz com quem morava. Seu dedo esquerdo estava liso e sem marca de aliança, não queria deixá-la constrangida, mas a curiosidade era maior. 

- Você ganhou uma casa na loteria?! 

- Melhor que isso. O André voltou da Austrália e me chamou pra morar com ele. 

Minha tentativa de manter o semblante foi totalmente frustada, pois o mesmo desmoronou na hora que eu ouvi o nome dele. Abaixei minha cabeça e logo em seguida ouvi o barulho das xícaras sendo colocadas em cima da mesa. 

- Capuccino com creme e bolo de cenoura com cobertura de chocolate, como sempre, você acerta no pedido. 

- Nem sempre. 

- Impressão minha ou você ficou abatido com alguma coisa?! 

- Deixa pra lá. 

- Os anos se passaram e você não abriu mão dessa mania de fugir dos assuntos. 

- Me desculpa. Mas isso não é da minha conta. 

- Eu sei que isso não é da sua conta, mas, só pra constar, o André é só um amigo e nada mais. Sei que é difícil acreditar, mas é a verdade. E é aí que mora uma das minhas lamurias. 

- Se é o que você diz, eu acredito em você. 

- Obrigada.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

entre as linhas.



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Com você as coisas podem ser legais. Sem você as coisas podem ser legais. Com você eu posso sorrir sempre. Sem você eu posso sorrir sempre. Com você eu tenho liberdade. Sem você eu tenho liberdade. Com você eu tenho afeto. Sem você eu tenho afeto. Com você eu faço planos. Sem você eu faço planos. 

A diferença é você quem faz.

vencedor.


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Não tem jeito, o amor sempre vence.
Mesmo quando deixamos de acreditar. Quando pensamos que tudo chegou ao fim e que a solidão será a nossa última companhia. Ele vence.
Não há 'mimimi' que possa ir contar o poder do amor. Não tem orgulho ou super-ego que consiga resistir aos seus encantos. Ele vem e vence.
Se não todos, a maioria é fruto de um algum amor. Seja aquele amor que só serviu pra uma noite de puro sexo, aquele que comemorou bodas de ouro ou então aquele que só aconteceu uma só vez. Detalhes, meros detalhes.
Somos programados para o amor e por maior que seja a nossa vontade de ir contra isso, não conseguimos resistir por muito tempo.
O amor vence sim, mas nunca pelo cansaço. Ele só entra quando a gente deixa, mesmo quando essa deixa não acontece conscientemente. 
Dizem por aí que o amor é irracional, irracional somos nós que tentamos negar que precisamos de amor e que merecemos um amor. Não importa como ele venha e muito menos quanto tempo ele vai durar, lembre-se:

 # o prazer não está na duração e sim no acontecimento.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

da cidade.



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A verdade é que eu queria te conhecer melhor, sabe?! Compartilhar segredos, medos e sonhos. Queria tanto poder te conhecer além dessa imagem que a internet oferece, ir além das gargalhadas e ultrapassar essa barreira que nos separa. Fico imaginando como seria te encontrar na rua, assim ao acaso - me esquecendo de que isso aconteceu de um jeito mais ou menos. Ou então numa fila de banco, para conversar e nem sentir as pernas doerem por causa da demora no atendimento. Você vai pensar que eu estou enganada, que se eu te conhecesse no real eu não iria te admirar tanto, mas posso garantir que você está enganado. A primeira vez que te vi de perto, me senti quase íntima, mas então me lembrei que blogs/vídeos só mostram um pedaço do que realmente somos. Parecerei boba ao dizer que naquele dia as minhas pernas tremeram e eu senti um pedaço do meu sonho se realizando. Você foi tão educado e simpático ao falar comigo, eu como sempre me tranquei dentro de mim e logo fugi da sua vista - me perdoe, não sei me comportar diante de situações assim. A cada atualização a minha vontade de te conhecer aumenta. Cada vídeo faz eu ter certeza de que você possui um dos sorrisos mais lindos que eu já vi, sem exagero - mentira, porque sempre que me refiro a você eu sou exagerada. Não o julgo como a pessoa mais feliz do mundo, porque sinto sua sinceridade quando fala de tristeza ou dores. Talvez o meu sonho de te conhecer além daqui nunca vá se realizar, não ficarei triste, porque aprendi muito com você e sou muito grata por  isso, obrigada de coração. Por favor, não vá pensar que estou apaixonada por você ou que sou dessas que ficam te stalkeando por aí - apesar de procurar saber de você sempre -, só sou mais uma das tantas almas que você tocou com seus textos/vídeos/fotos.
Eu só queria que você soubesse o que se passa no - meu - lado de dentro.

domingo, 6 de novembro de 2011

closer.



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Sempre a procura de amor, fosse dentro de uma garrafa cheia ou dentro de um pote de doce vazio. Assim era sua vida, assim era seu dia-a-dia e os seus sonhos - sim, porque nem lá ela se cansava de procurar. Uma busca incessante e continua. Acordava sempre com a pequena brasa de esperança acesa e todos os dias dormia com um fogueira dizendo que ela estava chegando lá. Não, essa não é mais um daqueles clichês que garantem que as coisas acontecem quando devem acontecer. Se aconteceu foi porque ela correu atrás, não desistiu e nem deu ouvidos para os que diziam que tudo não passava de uma ilusão e desgaste. A certeza de que tinha cumprido o seu papel era maior do que o amor em si. A satisfação e o gozo lhe preenchiam mais do que o amor em si. Não, ela também não desistiu do amor. Foi juntando as peças e pistas, foi se lembrando de todas as buscas que fez e de todas as rezas sussurradas ao pé da cama. Quando seus olhos finalmente se fecharam para sempre ela notou que o amor sempre esteve por perto e que toda aquela busca era só um jeito de viver sem deixar o amor morrer.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

melo e dia.



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Quando você percebe que aquela banda fez toda sua trilha sonora. Ela tem música para os seus dias de chuva, de sol, dia nublado, dia colorido, dia preto e branco, dia de noite e noite de dia. O vocalista se torna o seu porta-voz. Melhor, ele se torna o seu amigo de batalha, aquele capaz de dizer tudo que você prende dentro do pulmão. As batidas no bumbo funcionam como o batuque do seu coração. O som que escapa da guitarra é aquele que corre por entre os seus órgãos. A melodia vista de fora é a mesma que as mariposas usam para dançar no seu estômago. Somos confidentes de segredos cantados para o mundo todo. Nos tornamos fonte de inspiração, mesmo sendo desconhecidos uns dos outros. Percebemos que não estamos só. Experiências são compartilhadas e assim as consequências doem menos. Esquecemos dos problemas e perdemos a vergonha diante daquela banda que tanto sabe de você, mesmo sem te conhecer.

- We found love in a hopeless place ()

terça-feira, 1 de novembro de 2011

1973.



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Ela já tinha planejado tudo, arquitetado todos os passos e só esperava pela execução - que ela ainda não sabia, mas que seria um sucesso.
Para dar mais um charme a tudo aquilo, alguns imprevistos aconteceram. Era só o início da noite, não só da noite mas de alguns outros acontecimentos também. Os ponteiros pareciam não se importar com o horário que ela teria de levantar, corriam soltos pelo relógio. A noite foi regida por risos e elogios. Não se sabia se era o rosto ou as unhas dela que estavam mais vermelhos - menina acanhada e metida a tímida.
Dizem que é como andar de bicicleta, porém  ela não sabia andar. Fato é que ninguém nasce sabendo, se aprende praticando e lá foi ela (...)

- Singing, "Here we go again"