segunda-feira, 9 de março de 2015

a vida mim deixou órfã.




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há sete anos atrás meu pai entrava num relacionamento que viria a ser a nossa ruína. como filha eu não podia fazer nada além de observar o abismo ser cavado. a busca por uma felicidade a dois o tornou um homem cego e idiota. o fez abrir mão da convivência comigo e minhas outras duas irmãs. às vezes eu sinto uma saudade absurda dele, porque ele era um grande amigo - não aquela coisa clichê de meu pai, meu herói. meu relacionamento com ele durou apenas alguns maravilhosos anos e como tudo quié bom acaba de um jeito desgracento, com a gente não foi diferente. e como desgraça pouca é bobagem, atualmente eu vejo a história se repetir. agora a protagonista é a senhora minha mãe. que há quase dois anos entrou num relacionamento que vem sendo a nossa ruína. ela, assim como meu pai, não percebe que a busca por uma felicidade a dois pode ser mais danosa do que a própria solidão. minha mãe, que na época tanto condenou as atitudes de meu pai, hoje age de forma completamente igual, abrindo mão da convivência comigo, meus irmãos e minha sobrinha.
então eu chego aos vinte cinco anos de vida e praticamente órfã de pai e mãe vivos! como a vida brinca com nosso coração, né? eu sempre quis a felicidade conjugal de meus pais, mas sempre temi que o preço por ela fosse eu. ambos usam a mesma frase: não vou abrir mão da minha vida por você. por que diabos essa gente não pensou no mesmo antes de me deixar nascer? filhos são pra sempre - independente da idade -, mas meus pais talvez tenham se esquecido disso. afinal, todos queremos um amor do lado. mesmo que esse amor cause tanta dor a outros.

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