quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

um dedo de prosa [66]



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Ele: tá melhor?
Ela: não muito.
Ele: você deveria se cuidar.
Ela: mas esse não é o seu papel?

domingo, 8 de dezembro de 2013

manuscrito.



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você precisa ter em mente que comigo não há certeza, garantia e muito menos motivos certos pra existir. deixo minha razão ser conduzida pela emoção e vice-versa. meu sentimento é racional e o meu afeto é fraternal. não sei ser só de uma pessoa, mas aprendi a querer só uma. sei mexer com as palavras e até hoje não aprendi a dar som a elas. falo com sorriso, com olhar e no abraço. não procure o que você não deseja encontrar. não me subestime e nem tire suas conclusões se baseando em seus outros relacionamentos, sô tão previsível que estarei sempre te surpreendendo. gosto de ser assim e não vejo problema. se hoje eu danço na chuva, amanhã eu posso tá querendo sol. há coisas em mim que são de fábrica e você é livre pra aceitar ou não, mas só não vale reclamar ou tentar trocar depois. 
quem avisa amigo, é.

ato cem e dezoito




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às vezes eu tento caminhar fora dos meus padrões, tento alargar e ao mesmo tempo encurtar alguns passos. desejo dar oportunidade para o novo, procuro um jeito prático de exercitar a paciência, tento esperar as coisas acontecerem naturalmente, mas não consigo. minha pressa sempre me impede, quero pra ontem e quero pra daqui dez anos. não é a demora dos acontecimentos que me irritam e sim a incerteza, não gosto de coisas mais vulneráveis do que eu. algumas decisões precisam ser sólidas, mesmo que durem alguns dias. seja pra relacionamento, emprego, estudo ou a cor da roupa de baixo que tu vai usar na virada do ano. minhas decisões são tão momentâneas quanto de um camelão desfilando num arco-íris, mas eu aprendi a assumir e dar a cara pra bater - tô apanhando pra burro, só pra constar. sei que não posso ficar esperando uma garantia e então fazer algo, mas todo mundo precisa de uma brecha e se a brecha fica embaçada, eu já pulo pra janela que tá sempre aberta me esperando, é.

sábado, 7 de dezembro de 2013

diga olá.




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qual é o seu preço? por quanto dinheiros você se vende? ou será que um sorriso basta? ou então um elogio? o que te faz voltar atrás numa decisão? uma boa noite de séquissu? uma promoção? um presente ou um bombom? o que coloca sua conduta em cheque? um rabo-de-saia ou um abdômen definido? quantas vezes você já se vendeu por causa do status? quantas vezes você abriu mão dos seus princípios só pra ficar bem (?) na foto? quantos copos de cerveja você já suportou só pra não pagar de careta?

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

a-b-c


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todos queremos uma companhia que seja amiga, que escute e tente resolver nossos problemas, que não deixa a distância ou os dias ruins abalarem a estrutura do relacionamento, que faça nosso coração acelerar e andar na marcha lenta, que dance com a gente mesmo quando não houver música, que nos cuide com zelo de vó, que faça os rins sorrirem e as mariposas dançarem no estômago, que seja um com a gente, que nos deixe saber o que se passa no coração, que demonstre confiança, que seja o porto seguro nos dias de tempestade, que cante para os males espantar, que sabe dizer não e impõe limites, que demonstre saudade e afeto. fora as outras particularidades.
mas antes de querer é preciso ser, visse?

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

só lindão.



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a solidão só durou alguns poucos meses, não houve tempo pra saudade ou pro arrependimento. o fim já tinha sido decretado e sacramentado, não tinha volta e sendo assim a vida tinha que seguir. trocou-se apenas os lençóis e as fotas que eram exibidas pela casa. agora a rainha do lar era outra, com outros hábitos e costumes. suas juras e textos de amor foram direcionados para outra amante. por que esperar? a vida corre, acaba e o que sobra? espalharam por ai que era impossível ser feliz só, então só haveria felicidade com outra pessoa ao lado, por isso a pressa e o desespero. mas onde fica a garantia do serviço? como vamos saber se estamos amando aquele alguém de verdade se não tivemos tempo pra abstrair o antigo? tem como separar o amor novo do velho? o medo da solidão paralisa o raciocínio, só queremos alguém do lado sem se importar se alguém vai fazer diferença. é só questão de status e contagem, ninguém quer o troféu de solteiro. se amar pra que se podemos encontrar quem o faça? ser par com alguém vai além de dividir a cama. às vezes o fim é só o começo das nossas vidas e de outras vidas também.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

particular.



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Janeiro: meu coração era só saudade e vontade de ir embora. embarquei numa profissão nova e fiz alguns planos. além de cultivar um novo lugar pra chamar de lar.

Fevereiro: alô alô graças a Deus.

Março: consegui licença pra tirar meu registro de contabilista e é a única lembrança que tenho.

Abril: abortei uma viagem que poderia ter mudado o percurso do meu ano e da minha vida.

Maio: percebi que dar aula era melhor do que ficar trancada num escritório e voltei a ser estagiária.

Junho: tive a graça de ser madrinha de uma linda história de amor. casei e separei.

Julho: resgatei um caso antigo e nem senti o mês passar.

Agosto: rompeu a tradição do desgosto e me fez encontrar pessoas que de fato mudariam a minha vida.

Setembro: vi o mundo girar e me colocar de pernas pro ar.

Outubro: voltei a ser oficialmente um bichinho de escritório. pensei que tinha encontrado o amor, mas era cilada cilada cilada.

Novembro: me trouxe a oportunidade de reviver um sonho e só estava servindo como contagem regressiva, mas dai uma faísca se acendeu por perto e eu tô esperando o incêndio começar.