ser ... tô.



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cresci ouvindo que apressado come cru, mas às vezes é melhor comer cru do que ficar com fome, né? vivemos esperando o tal momento certo aparecer e então fazer algo a respeito, pois há tempo pra tudo. o problema é que a gente nunca saberá quando é o tal momento certo se a gente não tentar. não existe um certo absoluto e dono de toda verdade, cada um enxerga como quer. já comi muita coisa crua nessa vida: relacionamentos, empregos, amizades e viagens. coisas que me apareceram e eu não perdi tempo pra aproveitar. algumas coisas eu deixei voltar ao forno do cotidiano, coloquei pra aquecer um pouco mais e vi se transformar num banquete que me alimenta até a data de hoje. já outros tantos me deram dor de barriga e eu precisei vomitar. claro que há arrependimentos e a certeza de que faria tudo novamente. as estações trocam de vestido, os sentimentos trocam as máscaras e eu continuo apressada. dizem por ai que primeiro a gente come com os olhos e depois abrimos a boca, mas cá entre nós quem nunca brincou de 'fecha ozói e abre a boca' ? às vezes o barato da coisa taí: deixar o paladar nos surpreender ao invés de sempre seguir a lógica do olhar-de-condenação, é.

ato cem e quinze.



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hoje, enquanto eu esperava o ônibus pra ir trabalhar, vi passar por mim a minha professora do pré. sim, a mulher que me ensinou o alfabeto, que me ajudou a montar sílabas e a conhecer os números. aquela que participou ativamente da minha base estudantil. que era a tia Wilma ou Wilminha para os íntimos. o que me doeu foi não ter intimidade ou coragem o suficiente pra pará-la e dizer: obrigada! porque hoje eu sei o quanto ela foi essencial na minha vida. 
às vezes a gente se encontra com o passado e ele faz os rins sorrirem ou então os pulmões chorarem. engraçado como a minha memória seletiva lembra tão bem daquela senhora que saiu da minha vida há mais de quinze anos e não se lembra bem de pessoas que eu convivi no ano passado.
e assim como a tia Wilma há outras tantas pessoas que foram essenciais na minha vida e nem sabem, porque sô do tipo mongol que esconde os afetos por medo de se afetar ...


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vou me mudar pra sápaulo, cuidar de seus filhos como se fossem meus e te cuidar com todo afeto que venho acumulando por ti dentro de mim. compartilhar contigo os dias de chuva e de calor. me inspirar e pirar com você. contemplar de perto esse sorriso encantador que tu possui. te fotografar de perto e de longe. me envolver no seu mundo e fazer parte do seu dia-a-dia. 
vou me mudar pra sápaulo e me bordar em você.

Hey Oh, Let's Go! [4]



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AI MEU DEUS, COMO O TEMPO PASSA RÁPIDO! (♪)

ano passado eu não vim aqui registrar sobre a gente, mas cá estou pra não deixar o erro se repetir! 
há quatro anos você entrou na minha vida pra não me deixar mais sozinha, pra me entender até mesmo quando eu não me entendia. sempre prestativa, sempre tentando ajudar, sempre alegre, sempre sendo uma das pessoas que eu mais me orgulho de ter como amiga. em dois mil e doce aconteceu o tão esperado encontro e foi muito muito bom, vira-e-mexe me pego olhando nossas fotas no parque e até aquelas feias que tiramos no seu quarto, lembra? parecia sonho. mais sonho ainda foi o nosso encontro do ano passado, quando eu voltei pra Brasólia pra ser madrinha e testemunha de seu casamento. poder participar da sua vida, mesmo que há quilômetros de distância é uma honra, visse? 
me orgulho tanto de você, da sua disposição com os jovens na igreja, de seu esforço pra ser uma excelente dona de casa/esposa/filha/amiga, de sua sinceridade com as palavras, dos seus conselhos e do seu sorriso.
louvo a Deus por mais uma vez atender aquela breve oração que eu fiz no 'Hey Oh, Let's Go!' e que Ele continue nos abençoando e nos unindo cada vez mais, mesmo que de longe. porque enquanto houver você do outro lado, aqui eu consigo me orientar.
sei que hoje não trocamos emails como no começo, que as mensagens são esporádicas, que o tempo tá mais corrido de apertado, entre tantas outras coisas, mas uma coisa é certa: meu afeto por você se mantém intacto! e eu vou procurar me fazer mais presente e já deixo aqui minha convocação pra você e o Maicon virem me visitar antes do ano acabar, anotado?
já vivemos tanta coisas, compartilhamos mais um monte e ainda sim estamos só no começo! *-*

te amo, minha amiga-irmã-camarada-comadre ♥




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o mundo tá prestes a trocar de roupa e com ele a minha vontade de ficar nua só aumenta. nunca tive paciência pra experimentar ou combinar roupa, vai o que tiver pela frente - desde que seja confortável. nem sempre o belo é confortável ou o feio que é cafona. minhas comparações sempre são ridículas e infantis, fazer o que, né? separei várias roupas das quais eu não fazia uso há algum tempo, eu as guardava com a esperança de aparecer uma oportunidade pra usá-las e quedê que apareceu? do mesmo modo eu abri mão de alguns sentimentos dos quais já não usufruía há anos e o problema é que às vezes aparecem oportunidades de usá-los e eu as deixo passar. não sei ser a pessoa amável que quero encontrar no coletivo. jogo coisas importantes fora e juntos as tranqueiras no coração. totalmente sem noção ou seletividade. gosto de gente, do mesmo que prefiro me manter afastada delas. acho que é por isso que nunca propus nada aquele rapaz ou aceitei a oferta daquele outro. quero me apaixonar sem compromisso com a mesma intensidade que quero constituir uma família. mas o assunto não era mundos e roupas? é que de alguma forma tudo se junta e se mistura numa coisa só, sabe? sempre que fico sozinha eu danço com a minha solidão, pois ela nunca pisa no meu pé e sempre acompanha meu ritmo descompassado. de volta ao assunto, ninguém pode ficar nu por ai, pois tudo que sai dos padrões fodidos da nossa amada sociedade não é aceitável. as pessoas tomam conta da nossa vida, relembram nosso passado e querem prever nosso futuro como se a verdade absoluta estivesse em suas frágeis mãos, tomar no cu! e eu queria passar o ano sem pronunciar nenhum palavrão ... 

um dedo de prosa [66]



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Ele: tá melhor?
Ela: não muito.
Ele: você deveria se cuidar.
Ela: mas esse não é o seu papel?

manuscrito.



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você precisa ter em mente que comigo não há certeza, garantia e muito menos motivos certos pra existir. deixo minha razão ser conduzida pela emoção e vice-versa. meu sentimento é racional e o meu afeto é fraternal. não sei ser só de uma pessoa, mas aprendi a querer só uma. sei mexer com as palavras e até hoje não aprendi a dar som a elas. falo com sorriso, com olhar e no abraço. não procure o que você não deseja encontrar. não me subestime e nem tire suas conclusões se baseando em seus outros relacionamentos, sô tão previsível que estarei sempre te surpreendendo. gosto de ser assim e não vejo problema. se hoje eu danço na chuva, amanhã eu posso tá querendo sol. há coisas em mim que são de fábrica e você é livre pra aceitar ou não, mas só não vale reclamar ou tentar trocar depois. 
quem avisa amigo, é.

ato cem e dezoito




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às vezes eu tento caminhar fora dos meus padrões, tento alargar e ao mesmo tempo encurtar alguns passos. desejo dar oportunidade para o novo, procuro um jeito prático de exercitar a paciência, tento esperar as coisas acontecerem naturalmente, mas não consigo. minha pressa sempre me impede, quero pra ontem e quero pra daqui dez anos. não é a demora dos acontecimentos que me irritam e sim a incerteza, não gosto de coisas mais vulneráveis do que eu. algumas decisões precisam ser sólidas, mesmo que durem alguns dias. seja pra relacionamento, emprego, estudo ou a cor da roupa de baixo que tu vai usar na virada do ano. minhas decisões são tão momentâneas quanto de um camelão desfilando num arco-íris, mas eu aprendi a assumir e dar a cara pra bater - tô apanhando pra burro, só pra constar. sei que não posso ficar esperando uma garantia e então fazer algo, mas todo mundo precisa de uma brecha e se a brecha fica embaçada, eu já pulo pra janela que tá sempre aberta me esperando, é.

diga olá.




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qual é o seu preço? por quanto dinheiros você se vende? ou será que um sorriso basta? ou então um elogio? o que te faz voltar atrás numa decisão? uma boa noite de séquissu? uma promoção? um presente ou um bombom? o que coloca sua conduta em cheque? um rabo-de-saia ou um abdômen definido? quantas vezes você já se vendeu por causa do status? quantas vezes você abriu mão dos seus princípios só pra ficar bem (?) na foto? quantos copos de cerveja você já suportou só pra não pagar de careta?

a-b-c


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todos queremos uma companhia que seja amiga, que escute e tente resolver nossos problemas, que não deixa a distância ou os dias ruins abalarem a estrutura do relacionamento, que faça nosso coração acelerar e andar na marcha lenta, que dance com a gente mesmo quando não houver música, que nos cuide com zelo de vó, que faça os rins sorrirem e as mariposas dançarem no estômago, que seja um com a gente, que nos deixe saber o que se passa no coração, que demonstre confiança, que seja o porto seguro nos dias de tempestade, que cante para os males espantar, que sabe dizer não e impõe limites, que demonstre saudade e afeto. fora as outras particularidades.
mas antes de querer é preciso ser, visse?

só lindão.



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a solidão só durou alguns poucos meses, não houve tempo pra saudade ou pro arrependimento. o fim já tinha sido decretado e sacramentado, não tinha volta e sendo assim a vida tinha que seguir. trocou-se apenas os lençóis e as fotas que eram exibidas pela casa. agora a rainha do lar era outra, com outros hábitos e costumes. suas juras e textos de amor foram direcionados para outra amante. por que esperar? a vida corre, acaba e o que sobra? espalharam por ai que era impossível ser feliz só, então só haveria felicidade com outra pessoa ao lado, por isso a pressa e o desespero. mas onde fica a garantia do serviço? como vamos saber se estamos amando aquele alguém de verdade se não tivemos tempo pra abstrair o antigo? tem como separar o amor novo do velho? o medo da solidão paralisa o raciocínio, só queremos alguém do lado sem se importar se alguém vai fazer diferença. é só questão de status e contagem, ninguém quer o troféu de solteiro. se amar pra que se podemos encontrar quem o faça? ser par com alguém vai além de dividir a cama. às vezes o fim é só o começo das nossas vidas e de outras vidas também.

particular.



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Janeiro: meu coração era só saudade e vontade de ir embora. embarquei numa profissão nova e fiz alguns planos. além de cultivar um novo lugar pra chamar de lar.

Fevereiro: alô alô graças a Deus.

Março: consegui licença pra tirar meu registro de contabilista e é a única lembrança que tenho.

Abril: abortei uma viagem que poderia ter mudado o percurso do meu ano e da minha vida.

Maio: percebi que dar aula era melhor do que ficar trancada num escritório e voltei a ser estagiária.

Junho: tive a graça de ser madrinha de uma linda história de amor. casei e separei.

Julho: resgatei um caso antigo e nem senti o mês passar.

Agosto: rompeu a tradição do desgosto e me fez encontrar pessoas que de fato mudariam a minha vida.

Setembro: vi o mundo girar e me colocar de pernas pro ar.

Outubro: voltei a ser oficialmente um bichinho de escritório. pensei que tinha encontrado o amor, mas era cilada cilada cilada.

Novembro: me trouxe a oportunidade de reviver um sonho e só estava servindo como contagem regressiva, mas dai uma faísca se acendeu por perto e eu tô esperando o incêndio começar. 

ato cem e vinte.




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odeio acordar e não ter um chinelo na beirada da cama. odeio sair do banho e não ter um pano pra secar meus pés. odeio perguntas constrangedoras. odeio gente que abraça de lado. odeio gente me julga por eu ouvir funk. odeio gente que se acha inteligente. odeio gente que disputa quantos livros já leu. odeio gente que odeia filmes dublados. odeio gente que tenta adivinhar minhas respostas ou ações. odeio cagar e não ter papel. odeio água gelada. odeio sair de casa menstruada. odeio esperar respostas. odeio ver minhas coisas mexidas por terceiros. odeio que olhem minhas mensagens. odeio que peguem meus doces. odeio dormir sem dois travesseiros. odeio saudade. odeio banho frio. odeio rapaz que olha mulher como se ela fosse um bife. odeio velho que paga conta no horário do almoço. odeio fila de cinema. odeio acordar cedo. odeio pegar o tubo-de-pasta e saber que apertaram no meio. odeio sabonete em barra. odeio toddy. odeio algumas palavras. odeio a frase 'no tempo certo vai acontecer'. odeio gente sem iniciativa. odeio mimimi desenfreado. odeio não-me-toque-não-me-reles. odeio gente que corrigi meu dialeto. 
é.

me-dô.




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ela não o conhecia, era o vigésimo encontro, mas ela ainda nem sabia qual foi a primeira música que ele aprendeu a tocar e ele ainda não tinha percebido que ela comia as coisas de trás pra frente. ele a encontrava todo sábado e ainda ficava na dúvida do que ela fazia nas terças e ela nem imaginava como eram as quarta dele. era o começo ou então o meio de tudo, detalhe pouco importante. no começo ele tinha medo dela descobrir que ele dormia com meias de bolinha, enquanto ela se preocupava com a ideia dele perceber sua mania de lavar as mãos toda hora. 
todo mundo é assim, fica com medo de mostrar suas falhas, seus defeitos, suas manias, suas neuroses e coisas do tipo. ficam com medo porque acham que todas essas coisas são ruins, mas há gente tão estranha por ai que é capaz de ver toda essa bagunça com olhar de graça e achar graça. do mesmo jeito que fazemos com os outros. o ser humano é estranho, por isso é tão atraente.
ele passou a visitá-la nas terças e descobriu que ela ficava em casa, com meias de bolinhas amarelas, lendo. ela saiu da faculdade e foi passar a quarta com ele e percebeu que ele lava as mãos com a mesma frequência que ela. ele tocou pra ela a primeira música que saiu de seu violão e ela o ensinou a comer de trás pra frente. 
(...)

um dedo de prosa [65]




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Ela: andei falando de você.
Ele: por que?
Ela: precisava de um assunto.
Ele: com tanto assunto bom por aí ...
Ela: eu escolhi o melhor que tinha.

ser lembrada.



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intimidade a gente não compra ou troca, ela acontece na hora e do que jeito que quer e nem escolhe com quem vai ser. pode vir com o dia-a-dia ou então com o desejo de bom dia que rola quando nos encontramos com alguém. há níveis diferentes para pessoas diferentes. as pessoas estão sempre confundindo alho com baralho, querem apostar numa coisa que nem é delas e perdem o jogo por medo de passar a vez.
 deixar a pessoa ser quem ela é ou quem ela quer ser é uma demonstração de afeto sem medida. não tentar adivinhar o que a outra pessoa deseja é dar a ela a liberdade de escolher. ficar com medo das reações alheias é perder o elemento surpresa que acelera as batidas do coração.
não se apresse em conhecer todos os gostos, medos, desejos, sonhos e planos do outro. faça com que cada descoberta seja celebrada com dignidade. porque depois que se explora tudo, perde-se a graça e a vontade. 
 não tome as pessoas por você, pois nem todos vieram do mesma forma.

só Ri, tá?



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guilherme estava parado embaixo da marquise de uma loja antiga, esperando a chuva passar. não queria molhar sua camisa nova. foi quando rita apareceu, passou pela calçada girando a sobrinha, como sempre teve costume de fazer. não só molhou como manchou a camisa do rapaz fresco que ali estava. 'VOCÊ É LOUCA?' 'eu te conheço?' 'OLHA SÓ O QUE VOCÊ FEZ NA MINHA CAMISA!' 'grandes merda' 'SÁCAMISA É NOVA E CUSTOU METADE DO MEU SALÁRIO' 'sorte a sua' 'ONDE TU PENSA QUE VAI? VOLTE AQUI!' ... 'QUAL SEU NOME?' 'ri, tá?' e lá ficou ele, sem saber se era o nome dela ou uma tirada irônica do destino.

interpretar a ação.



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no começo eu pensava que a frase: 'até que a morte nos separe', dita no final de vários votos de casamento, se referia a morte morte de algum dos dois, mas com o passar dos anos e dos relacionamentos fui chegando a outra conclusão.
 a morte física é pequena se comparada com a morte do respeito, porque sem respeito a gente não convive.
a morte física é imperceptível se comparada com a morte da cumplicidade, porque sem cumplicidade a gente tá só.
a morte física é insignificante se comparada com a morte da confiança, porque sem confiança não existe relacionamento e sim lamento.
a morte física é aconchegante se comparada  com a morte do abraço, porque sem abraço o sentimento não transferido.
a morte física é um alívio se comparada com a morte do desejo, porque sem desejo só sobra obrigação.
a morte física é indolor se comparada com a morte do amor, porque sem amor todos os outros sentimentos são só sentimentos.

um ponto e duas vistas.



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a olhos nu:
não tem garantia. não tem amor. não tem sexo. não tem promessa. não é o momento certo. sobra diferenças. não tem certeza. não tem contrato. não tem regra. não se te conhecimento ou qualquer outra coisa que se usa como desculpa justificativa para aceitar um relacionamento.
com óculos-cor-de-rosa:
não falta vontade de ficar junto. não falta carinho. não falta beijinho/beijo/beijão. não há vontade de desabraçar. não falta assunto. não falta planos. não falta trilha sonora. não falta colo. não falta o desejo. não falta aprendizado. não falta filme. não falta passeio. não falta destino ou qualquer outra coisa que se tem quando se é par.

cada um enxerga como quer.

um dedo de prosa [64]




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Ela: comprei um pingente pra te lembrar.
Ele: mas isso daí é um M!
Ela: que que tem?
Ele: meu nome começa com V!
Ela: é que é M de Mozão, pô!