me-dô.




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ela não o conhecia, era o vigésimo encontro, mas ela ainda nem sabia qual foi a primeira música que ele aprendeu a tocar e ele ainda não tinha percebido que ela comia as coisas de trás pra frente. ele a encontrava todo sábado e ainda ficava na dúvida do que ela fazia nas terças e ela nem imaginava como eram as quarta dele. era o começo ou então o meio de tudo, detalhe pouco importante. no começo ele tinha medo dela descobrir que ele dormia com meias de bolinha, enquanto ela se preocupava com a ideia dele perceber sua mania de lavar as mãos toda hora. 
todo mundo é assim, fica com medo de mostrar suas falhas, seus defeitos, suas manias, suas neuroses e coisas do tipo. ficam com medo porque acham que todas essas coisas são ruins, mas há gente tão estranha por ai que é capaz de ver toda essa bagunça com olhar de graça e achar graça. do mesmo jeito que fazemos com os outros. o ser humano é estranho, por isso é tão atraente.
ele passou a visitá-la nas terças e descobriu que ela ficava em casa, com meias de bolinhas amarelas, lendo. ela saiu da faculdade e foi passar a quarta com ele e percebeu que ele lava as mãos com a mesma frequência que ela. ele tocou pra ela a primeira música que saiu de seu violão e ela o ensinou a comer de trás pra frente. 
(...)

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