sexta-feira, 11 de novembro de 2011

página dois.




A tal cafeteria ficava a poucos passos dali, apontei o caminho e então ela me acompanhou. Como de costume, ela pegou no meu braço na hora de atravessar - outra mania permanente dela. 

- É aqui. 

Entramos e eu deixei ela escolher um lugar. Puxei a cadeira pra ela e me sentei logo em seguida. 

- Você vem sempre aqui?! 

- Só de segunda a domingo. 

A garçonete trouxe os cardápios e ficou esperando. Sem olhar, ela disse: 

- Confio em você, então o que iremos pedir?! 

Levantei a cabeça e disse: 

- O de sempre, em dose dupla. 

Fiquei esperando ela perguntar o que eu sempre pedia, mas a pergunta não veio. 

- Que horas você pretende responder as minhas perguntas?! 

- Temos tempo?! 

- Todo tempo do dia de hoje. 

- Já que é assim ... eu estou muito bem, não me mudei pra cá e estou só de passeio. Satisfeito?! 

- Quase. Esperava mais detalhes. 

- Tem certeza?! 

- Absoluta. 

- Arrumei um emprego numa escola, onde eu trabalho na parte da manhã. Fiz alguns cursos. Hoje em dia, depois de receber um convite, moro numa casa muito bonita, onde eu dou minhas aulas e faço as reuniões dos jovens. Passei em um concurso público e agora estou esperando me chamarem. Quase um conto de fadas, né?! 

- Defina quase. 

- Eu só contei por cima, ou melhor, só contei as coisas boas. Não quero gastar o seu tempo me lamuriando. Agora é a sua vez. 

- Eu terminei minha faculdade, participei de algumas pesquisas. Além disso, eu dou aulas em duas escolas. Comprei um apartamento e estou montando a minha biblioteca. Eu gostaria de ouvir suas lamurias. 

- Uma outra hora, quem sabe. 

- Posso perguntar sobre o convite que você recebeu?! 

- Você é livre pra perguntar o que quiser. 

Ela não tinha comentado nada sobre o tal rapaz com quem morava. Seu dedo esquerdo estava liso e sem marca de aliança, não queria deixá-la constrangida, mas a curiosidade era maior. 

- Você ganhou uma casa na loteria?! 

- Melhor que isso. O André voltou da Austrália e me chamou pra morar com ele. 

Minha tentativa de manter o semblante foi totalmente frustada, pois o mesmo desmoronou na hora que eu ouvi o nome dele. Abaixei minha cabeça e logo em seguida ouvi o barulho das xícaras sendo colocadas em cima da mesa. 

- Capuccino com creme e bolo de cenoura com cobertura de chocolate, como sempre, você acerta no pedido. 

- Nem sempre. 

- Impressão minha ou você ficou abatido com alguma coisa?! 

- Deixa pra lá. 

- Os anos se passaram e você não abriu mão dessa mania de fugir dos assuntos. 

- Me desculpa. Mas isso não é da minha conta. 

- Eu sei que isso não é da sua conta, mas, só pra constar, o André é só um amigo e nada mais. Sei que é difícil acreditar, mas é a verdade. E é aí que mora uma das minhas lamurias. 

- Se é o que você diz, eu acredito em você. 

- Obrigada.

7 comentários:

Nati disse...

Nunca sabemos qual é a verdade. Beijo

Thamires Figueiredo disse...

É que nada é somente flores né.. vamos partir pras coisas tristes também. Acompanho.

Beijos, pitchula :*

Gabriela Freitas disse...

Gosto de diálogos, ficaram ótimos!
O novo layout do blog está maravilhoso.

Marcelo R. Rezende disse...

Nem tudo é perfeito, mas a gente deve buscar a felicidade na imperfeição.

Caroline disse...

Que texto bonito. Um encanto.
Beijos, querida <3

Luna Sanchez disse...

Uma coisa é uma coisa, outra é...outra.

Gostei.

=*

Henrique Miné disse...

é engraçado como, quase sempre, qualquer papo sempre acaba cainda nas tais lamurias...

quer dizer, não é bem engraçado, mas enfim..


beeeijos.