domingo, 23 de outubro de 2011

vem e vai.



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aí, você se depara com aquela antiga cicatriz.tão antiga você nem se lembra o que te causou aquilo. só que por um motivo desconhecido, chamado música, ela começa a doer, faz você reparar nela e tentar se lembrar do que aconteceu. ondas de lembranças chegam até a praia da sua memória, trazendo desorganização e confusão. tudo ia tão bem, até o sangramento recomeçar. ‘como pode uma antiga cicatriz sangrar?!’. nessa vida tudo é possível e acontece quando a gente menos espera. tenta-se usar o mesmo remédio que foi usado quando a ferida estava aberta e fresca, mas nada adianta. não se trata de um novo ferimento e sim de uma cicatriz, que deveria está selada e guardada como recompensa de guerra. o jeito é deixar sem jeito, quem sabe a antiga cicatriz não se torne uma cicatriz nova. lembrando-se de que mesmo sendo nova, o lacre pode se romper e o sangue pode voltar a jorrar.

8 comentários:

Renan Mendes disse...

Uma música, um texto, uma imagem, um cheiro. Somos tão frágeis nas nossas fortalezas...

renatocinema disse...

Cicatriz sempre cutuca a alma.......não tem como esquecer.

Mas, temos que, a partir de determinado momento, ignora-la.

Inercya disse...

antigas cicatrizes sempre voltam. o ruim é quando elas voltam para sangrar. mas você pode achar outra forma de remediá-la. quem sabe uma nova fórmula não aparece?
:*

Marcelo R. Rezende disse...

Se pulsa, sangra. E se sangra, sinta.
Estancar só piora.

Má Midlej disse...

Conversei esses dias com uma amiga, sobre isso de vincular músicas a sentimentos ou acontecimentos. Não adianta a gente ficar um tempão sem escutá-las, superar a coisa toda e etc. Se aquela tocar em algum momento, nos lembraremos de tudo.
Ficou uma graça o texto.
Me lembrou de coisas, de músicas. rá.

beijão

Mɑɑh disse...

cicatrizes que nunca saram, que sempre vão doer, com músicas, frases, filmes, ou a simples lembrança que venha na cabeça sem querer... No final, apesar de tentarmos ser fortes, sempre descobrimos que na lembrança de algumas coisas, somos as pessoas mais fracas.

Flá Costa* disse...

uau. adoro textos sucintos e intensos.
quem disse que a gente precisa de mil palavras pra dizer muito?

adorei o texto, mesmo!
e também falei de música lá no blog... música é tudo. sei lá, é o botãozinho on da memória.

beijinhos

Caroline disse...

Você sempre dá um jeito de infiltrar a música na escrita, acabando por definir com exatidão maior ainda o que é fato.