quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

pois é.


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Olivia era magra e tinha por codinome: palito. Não, ela não era magra, pelo contrário, era do tipo com carne nos lugares certos: coxas, barriga, seios e bunda. Usava aparelho fixo com elásticos coloridos e um óculos de sol - até mesmo de noite e na chuva. Poucas pessoas, melhor dizendo, só as de casa, conheciam a cor de seus olhos, os quais nem eu conhecia. Estava sempre com fone e carregava um sorriso largo. Caminhava pela rua dançando e só atravessava a rua contando os passos. 
Olivia era do tipo desligada, mas que prestava atenção tem tudo. Quando ela passava pela praça, sempre pulava uma cerca e quebrava os vasos de flores, não que ela fosse uma má menina, ela só acreditava que flor e planta foram feitas pra terem raízes e não pra ficarem presas em vasos ridículos com desenhos cafonas. Quando fazia isso, sempre vinha alguém gritando e mandando ela sair, mas nunca respondeu aos xingamentos. Sorria e acenava, depois seguia seu trajeto. Todos achavam isso estranho, porque ela não tinha cara de quem leva angu-com-caroço pra casa.
A resposta veio numa tarde de quarta feira, três de março de um ano qualquer. Olivia estava dançando na calçada, quando desceu pra contar seus passos e atravessar a rua, na metade do caminho ela perdeu as contas e resolveu voltar, foi quando se ouviu um silêncio e logo depois o barulho de uma sirene. Pela primeira vez, os olhos de Olivia foram vistos - eram cor-de-folha-seca e parecia uma represa, represa que se arrebentou, quando um de seus segredos foi revelado: ela era surda e usava os fones pra disfarçar.

- onde o destino não previu.

17 comentários:

Tati Nanda disse...

"Olivia era do tipo desligada, mas que prestava atenção tem tudo. " poderia estar me descrevendo nessa frase.. ate pelo apelido..
mas q texto lindo moça!! lindo mesmo
eh muito diferente e eh tocante.. o final nao eh o esperado nem o inesperado. eh a sua cara escrever assim.. nao q vc se caracterize por um certo tipo. mas eu nao sei explicar. foi lindo o texto q li agora!
beijos moça linda.

Renata Cundari disse...

Sua linda, adoro seus textos como sempre inteligentes e intrigantes =) te seguindo faz um tempo ;*

Luciana Matos disse...

Eu adoro contos, e acho que você tem um time certeiro pra os escrever!

Beijooooo

Fabi Celso disse...

nossa, adorei. você escreve muito bem, beijos

Thamires Figueiredo disse...

' mas claro qe eu sigo. Muito interessante seu texto, está de parabéns menina. Se puder, dá uma passadinha no meu *-* Beijos :*

Caroline ; disse...

que inesperado, acho lindo *-*

Inercya disse...

Acho que nunca cheguei a ler uma história por aqui. Achei tão fofo o teu jeito de escrevê-la. Ficou linda! :D
;*

Henrique Miné disse...

pooxa, foi tipo humor negro isso?
Eu posso imaginar esse texto perfeitamente adaptado pra uma tirinha do Cyanide & Happines...

e é um elogio, viu?

beeeijos!

Natália disse...

De um sentimento inacredital, de uma sensibilidade incrivel. Não sei como você consegue fazer isso. Sinceramente, lindo.

Beijo

mari. disse...

Nossa, que história mais cute, cute.
Tá aí, gostei da Olivia. E realmente, o destino não previu..

=)

Má Midlej disse...

Eu não entendi o final :s O que houve com ela? :s :s rs

Mas, gostei do conto de forma geral. rs
Beijão.

Monique disse...

Historia booa muito boa, ate poderia ser real ...
mas quem disse que não é, né? rs
Um beijo!.

Will Monteiro disse...

Fiiim. Eu já disse que te amo hoje? Teus contos me encantam *-*
=**

Letícia disse...

Adorei o seu blog, já venho acompanhando tem um tempo.

Bjs sua linda.

João disse...

pobre Olívia...
seu blog é uma proeza.
abrçs

Lúu Almeida disse...

Pra que esconder?
É a beleza dela, tudo tem
um lado bom.

Flores!

Erica Ferro disse...

Ai, gente... Que coisa mais emocionante!
Me pareço com a Olívia na mania de viver sempre de óculos escuros e parecer desligada, mas na verdade sou ligada em tudo e todos.

O final foi imprevisível, tal como o destino.

Adorei, SUA LINDA! ^^

=*