pós-créditos.


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sim, terminei de ler mais um livro de romance e é impossível não sentir vontade de vir aqui e escrever sobre você e para você. que é a pessoa mais importante da minha vida há pouco mais de uma década.

dia desses eu vi na internet um vídeo que dizia "alerta de spoiler: o que vem depois do felizes-para-sempre é a cena do casal cheirando amaciante no supermercado" e eu sorri, enquanto dava seguimento nessa lista com as nossas cenas: conta de luz com o nosso nome; trato e distrato de aluguel; a adoção dos nossos primeiros gatos e aqueles que vieram pelo golpe-do-lar-temporário; marcar a opção "casada(o)" nos formulários da vida; sair pra jantar, comer e ir embora (porque não existe mais despedidas); escolher cores para as paredes que juramos saber pintar; maratonar vídeos de review antes de comprar qualquer eletrodoméstico; celebrar a existência da lava louças que nos permite mais tempo de sofá; transformar tudo legal em tradição; sentar na porta do banheiro enquanto o outro atende os chamados da natureza; discutir quantas luzes precisamos acesas para eu ficar feliz; comemorar os dias de terapia; me ouvir resenhar todos os livros que eu devoro e opinar sobre (mesmo que só tenha a minha versão como orientação); ouvir relatos do reddit como se fossem notícias de jornal; assistir os memes compartilhados durante o café-da-manhã e tantas outras.

seguir amando você e caminhando ao seu lado é a melhor escolha da minha vida, te amo Passarinho. 

end of beginning.



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eu gosto muito de escrever, sempre gostei. seja copiando estórias infantis no caderno de caligrafia (sim, eu era obrigada pela minha mãe a fazer isso quase que diariamente) ou então gastando os cadernos da escola copiando as letras de músicas que eu gostava de ouvir na rádio. a minha letra é muito bonita e eu me orgulho de vê-la em papeis, confesso. 

mas houve um momento que eu cansei de apenas copiar e passei a criar minhas próprias narrativas: contos, crônicas, testemunhos, resenhas literárias, diálogos imaginários, teorias baratas de como o mundo funciona (pelo menos na minha cabeça), desabafos, declarações - de amor e ódio -, entre outras categorias.

ao passo que ia permitindo que outros lessem o que se passava aqui dentro, o medo veio surgindo numa velocidade um pouco maior. por muito tempo eu pensei que o medo era do julgamento e das críticas alheias, foi quando percebi que nenhum estranho poderia me subjugar mais do que eu mesma. a verdade é que eu sou (e acredito que sempre serei) a minha maior algoz, não consigo olhar com misericórdia para meus fracassos - principalmente àqueles que estão no passado e eu nada posso fazer para mudá-los. apesar de todo esse clima pesado, eu comecei a buscar novas respostas para tanto medo e fui percebendo que talvez eu não tenha tanto orgulho de quem eu já fui. sim, aqui nesse site é possível encontrar uma outra versão minha, que eu poderia apagar e fingir que ela nunca existiu e eu nunca consegui porque foi essa versão que me permitiu chegar onde estou hoje. grata pelo processo terapêutico que me abriu novas perspectivas de vida, possibilitando novas criações pelas quais eu sou completamente apaixonada. eu gosto de me ler (mesmo quando não consigo acreditar que já fui uma pessoa que odiava gatos rs), e eu sou muito boa nisso.

gira.

 


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o período atual por si só já bombardeia a nossa mente com vários pensamentos: mudanças, objetivos, sonhos, metas, desafios, reflexões, transformações e etc. afinal de contas, estamos no mês de janeiro, o pai de todas as expectativas. para alguns é uma questão de leves ajustes de rotina ou então a incrementação de hábitos totalmente novos. 

a primeira semana já foi concluída e com certeza várias pessoas já tiveram as suas primeiras decepções e pensaram que é melhor deixar para o próximo ano (trabalhamos com o radicalismo rs). por muitos anos eu fui participante desse grupo, porque a minha infinita impaciência não aceitava o tempo dos processos, até eu aprender que falhar algumas vezes não é uma sentença definitiva. tudo bem que você precise de mais tempo para chegar no seu objetivo final, seja ele qual for. há quem diga que o importante é o trajeto e não o destino, eu prefiro depositar a importância nas companhias - sejam elas duradouras ou passageiras. 

você nunca vai se encontrar se não reconhecer que está/esteve perdido em algum momento, da mesma forma que os hábitos maravilhosos compartilhados nas redes sociais não cabem dentro da sua realidade. nem todo mundo tem condições de acordar 4h e ir assistir o sol nascendo dentro de uma canoa no mar, às vezes a sua realidade é enxergar o sol nascendo dentro de um busão lotado. tem alegria e satisfação que só um podrão de bairro pode te proporcionar e você não precisa se odiar por isso.

é caindo e levantando que a gente conclui um ciclo ou o quebra, para seguirmos morrendo de viver.