ato cem e dez.



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minhas últimas paixões moram longe, tão longe que me fazem pensar que foi melhor assim. aprendi a cultivar saudade desde cedo e desde então minha plantação só faz aumentar a cada dia. não sei lidar com amores ou paixões que estejam há alguns minutos no busão ou bicicleta. passei tanto tempo ocultando meus sentimentos que às vezes penso que eles de fato não existem, quem é que sabe? eu confesso ter uma lista de preferências e a principal delas é: morar longe. fora do meu alcance, para evitar que de uma forma ou outra eu meta os pés pelas mãos. 
eu passei muito tempo gostando de mim que esqueci de como é gostar e cuidar do outro, pior do que isso é achar que ninguém nunca saberá gostar ou cuidar de mim como eu acho que mereço. mas o que eu mereço se nada tenho pra oferecer? relacionamentos precisam ser vias de mão dupla, mas a minha estrada tem sido cada dia mais uma via de mão única pra solidão. 

evidências.



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a vida e a sua teoria de: vou arrumar outro pra te esquecer. isso acontece com móveis, eletrônicos, imóveis, automóveis e pessoas. estamos sempre substituindo as coisas e as pessoas na tentativa de sufocar o sentimento que cultivamos por ela. eu nunca acreditei nisso, talvez porque comigo isso nunca funcionou. 
você não gosta das coisas ou das pessoas da mesma maneira, logo um sentimento não é capaz de anular o outro. cada coisa ou pessoa te conquista por motivos e razões variadas. você pode deixar cair no esquecimento, tirar da evidência em sua vida e ainda sim ele vai viver eternamente nas sua memória - para servir de martírio nos sábados chuvosos. seu presente não deve ser usado pra apagar o passado, seja ele bom ou ruim. 

ih, sônia!



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nas minhas noites de insônia eu fico a pensar que não estou só nesse bonde do vira pra cá, roda pra lá, tira o lençol do lugar e nada do sono chegar. meu sono vem divido em duas suaves prestações: junto com o sol e depois do almoço. quem foi que inventou que só podemos dormir na ausência do rei sol? a noite e principalmente a senhora madrugada são anfitriões de nossos melhores momentos. talvez pela ausência inibidora da platéia. não se preocupe com as olheiras, elas são charmosas. contemple os detalhes do teto, ouça uma música nova e escreva sobre.

can't stop.



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meu amor,
meu amorzinho,
meu pedaço de bom caminho.

um brinde.



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chegue mais perto, porque Dominguinhos te chama pra Rastapé trazendo sua Falamansa e seu Bicho de Pé (obeserve a rima). os Aviões do Forró e a Garota Safada te oferecem um Limão com Mel e sem essa de Mala 100 Alça, pois o Trio Nordestino quer te cantar: parabéns pra você, muitos xotes de vida e lugares pra conhecer! (♪)

♥

nota mental /2





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engraçado é pegar o bloco de notas e não escrever para ou sobre você. como a gente superar as coisas e principalmente as pessoas. encontramos assuntos e inspirações diferentes. damos risadas e sentimos saudades de outras coisas que antes nos eram desconhecidas. aquela banda e aquela música voltam pra playlist como qualquer outra. parece que aconteceu em outra vida ou com outra vida, talvez seja isso. aquela vida que tínhamos antes do rompimento se foi, morreu e jaz em paz em algum lugar fora de nós. morremos e cultivamos nosso próprio luto, como explicar? então as cinzas ganham cores, ganham fôlego de vida e cá estamos como se fossemos uma fênix.

ato cem e trinta e três.



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eu quero sair de casa. mas eu não quero sair de casa e deixar a minha avó com a sensação de que ela não. fez um bom papel na minha educação. também não quero que minha mãe pense que estou a puni-la por algo do passado. quero sair de casa, mas não por causa dos problemas familiares. quero sair de casa pois eu já vim com o mapa múndi na mente. conhecer lugares sempre me deixou excitada, mas conhecer pessoas é o que me move. quero sair de casa e conhecer o mundo em mim. quero sair de casa e ao olhar pra trás sentir saudade de casa e não alívio por estar longe. quero voltar pra casa nos feriados, nos aniversários, nos dias de chuva e quando a saudade não tiver lugar pra ficar. quero sair de casa porque sei que a terei quando eu voltar. quero sair de casa mesmo sabendo que irei me perder, enlouquecer e me arrepender. pois sobre viver eu irei escrever.

sobre atual idades.



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demonstrar sentimentos está fora de moda. passou a ser visto como trajes de gente fraca e ignorante. como demonstrar afeto sem saber se o outro cultiva algum sentimento verdadeiro por nós? não, não pode. devemos ser fortes e independentes. gostar e demonstrar afeto nos torna vulneráveis e isso vai contra as regras atuais. coração deixou de ter um significado figurativo, agora ele é apenas um órgão que bombeia sangue pra sua máquina, conhecida como corpo, continuar funcionando e fim. não se apegue, não abaixe a guarda e jamais se aproxime muito de outra pessoa - novo slogan pra uma vida de sucesso e vazia. precisamos de dinheiros e não de corações partidos. siga a razão, se deixe levar pela maré e quando não der mais pé se afogue nos braços da emoção.

canalizar a dor.



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não tem nada de anormal em colocar uma música pra tocar quando tu pega um livro pra ler. ninguém acha estranho você caminhar por ai com fones acoplados aos ouvidos. todos entendem perfeitamente que não se pode faxinar a casa sem uma playlist definida. não existe festa feita com silêncio ou só com o barulho das vozes conversando. na hora do banho todos somos artistas famosos, damos o play e fazemos as performances de nossas vidas. quando o assunto beira o precipício do silêncio a gente recorre aquela música que acabamos de conhecer ou então aquela que temos por favorita. e até quando não estamos exercendo nenhuma atividade a música está lá, trazendo vibrações e vida para nossos corpos.
os acordes, as harmonias, as variações de vozes, os diversos timbres e tons estão sempre nos salvando. sempre nos orientando. sempre embalando nossos melhores momentos. música é o que sobra quando um relacionamento acaba, porque fotas a gente rasga ou deleta, mas como impedir que aquela música toque? música é o que sobra quando o salão de festa fica vazio, ainda podemos deixar tocar e dançar com a vassoura. música é o que sobra quando a saudade já perdeu a voz.

pra você guardei amor.

~ all of me loves all of you ~

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e cá estamos, com a nossa casa mais do que quitada e mobiliada. as paredes trazem grandes quadros de boas e doces lembranças. cinco anos e algumas vidas cantadas na vozes de grandes sucessos nacionais e importados. sessenta vezes e vários sonhos compartilhados e concretizados. não sei olhar pra trás e escolher só um momento, teve aquele primeiro 'te amo' que veio em forma de música, a primeira ligação, a primeira carta trocada, o primeiro abraço, a primeira fota, a primeira serenata, a primeira conversa de vídeo no skype e tantas outras primeiras vezes. 
as pessoas estão acostumadas com os desgastes nos relacionamentos, enquanto a gente só faz se amar um pouco mais a cada volta no relógio. não tem que desperte em mim sentimentos tão bons que nem você. a gente se entende e se mistura de um jeito tão natural que estranho seria se a gente não fosse a gente. esse relacionamento de homem e mulher que não cabe em nenhum padrão fifa de relacionamento. 
obrigada por se o meu lar, principalmente nos dias em que nem eu quero me abrigar. obrigada por ensinar tantas coisas. obrigada por esse relacionamento tão maravilindo que temos. obrigada por fazer meu coração funcionar até nos dias em que eu o decreto falecido. 

eu amo você, Uau Berg! ♥

nota mental.



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a vida é tão solitária que quando se encontra alguém pra segurar a nossa mão e caminhar ao lado da gente, não podemos deixar a oportunidade passar. mesmo que a companhia dure o tempo de um sorvete ou até a próxima esquina.

olha só, moreno.



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bom mesmo é
dormir
e
acordar
com a certeza de
que somos
par ♥

devagar ações.



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sempre que alguém me pergunta o motivo da minha solteirice eu oscilo em duas desculpas: não tá na hora ou não encontrei uma pessoa que me faça mudar de ideia. (atire a pedra no telhado do vizinho quem nunca as usou). 
hoje, enquanto eu estava observando a paisagem pela janela do coletivo eu comecei a refletir minhas desculpas e percebi que elas são fatalidades. tudo bem que há segunda não é bem verdade, porque eu encontrei alguém que me fez mudar de ideia mas esbarrei na primeira desculpa e fiquei no zero a zero novamente. 
não acredito que haja uma pessoa certa e separada pra mim ou pra qualquer um/a. a vida é como um jogo de probabilidade e as combinações são as mais diversas possíveis. não há matemática ou porcentagem que vá lhe garantir um/a companheiro/a perfeito/a. querer e esperar por isso é tolice com passagem comprada pro destino da solidão. 
claro que chega um momento da sua vida que você então percebe que encontrou uma pessoa que te faz esquecer as outras possibilidades, as outras bocas, os outros carinhos, os outros abraços e todos os outros. quer uma pessoa e ser dela também, não por obrigação ou certidão, mas por simples e puro desejo. 
o amor e suas outras drogas não são complicados, não precisam de planejamento ou orçamento. só esperam por uma chance de acontecer pra nascer. 

sobre a tina.



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a gente ouve falar de rotina e a primeira coisa que vem a nossa a mente é uma coisa massante e chata. rotina não rima com o tédio mas parecem palavras sinônimas.  (que coisa não?) todos reclamos e tentamos mudar, quebrar e dar um perdido na rotina, aspiramos pelo novo e pelo desconhecido como se fossem aquele ar puro que a gente só encontra quando sai do meio da poluição da cidade. (como somos tolos! como somos momentâneos e estranhos)!
o ar puro é bom, tão bom que faz os pulmões doerem. mas o tempo se passa e traz aquela poluição que pensávamos ser da cidade, então ela começa a vazar pelos nossos poros e escorrer através das nossas lágrimas e salivas. 
a rotina é essa coisa empoeira porque a gente mete o rabo entre as pernas e foge, ao invés de ficar e limpar. o novo também vira rotina, o novo também fica velho e não podemos deixá-los de lado só por causa disso. 
encontrar graça na rotina é como enxergar um diamante no seu estado bruto, os outros podem não vê mas a gente sabe o valor que tem. 

um dedo de prosa. [70]



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ele: preciso me amar mais.
ela: por que?
ele: se eu não me amar quem vai?
ela: eu vou! ♥
(óun)

aços.



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há braços
feitos de laços
para virarem abraços.

um dedo de prosa. [69]



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ele: ando meio desanimado.
ela: sei de algo que pode te levantar.
ele: o que?
ela: pílula azul.
ele: com você eu não preciso.
(ui)

minha casa, minha vida.




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viajar é sempre uma delícia, mas nada substitui a sensação de voltar pra casa. para o lugar que você transformou em lar, sinônimo de conforto e paz. onde por mais bagunçado ou sujo que for, é ainda o seu lugar favorito. que você conhece bem, cada cantinho, cada mobília, cada detalhe da parede descascada e afins. a casa pode estar muito necessitada de reparos, mas ainda sim é nossa casa! onde a gente manda e obedece. onde criamos regras e as quebramos quando necessário. 
mas casa não é feita só de tijolo ou madeira, há pessoas que são nossas casas, nosso lar! algumas parecem que já vem prontas pra gente morar, fazer nosso ninho e se aconchegar nos abraços. tem outras que são como uma planta baixa, é necessário dedicação e espera. são aquelas que aos poucos vão preparando o terreno, cavando as sapatas que abrigaram as vigas que darão sustento pra relação. quando você menos espera já tá cercado por fortes paredes de abraço. ganha um teto solar pra observar a lua, contar as estrelas e impedir a chuva de desgastar. as lembranças vão sendo penduradas na parede do coração, com molduras simples e marcantes. as gargalhadas tocam na vitrola, trazendo harmonia para os cômodos. o colo se torna cadeira, sofá e mesa. 
em casa a gente não sente vergonha, em casa a gente não sente medo, em casa a gente grita, em casa a gente é a gente e ainda sim somos sempre bem vindos!



uma rapidinha.



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nem todo ponto é final, às vezes voltamos atrás e colocamos uma vírgula embaixo; pra demonstrar uma pausa, um momento em que foi necessário um tempo pra se recuperar o fôlego ou o ânimo. nenhum texto ou relacionamento pode  funcionar direto, precisa-se de vírgulas e 
até de parágrafos novos. letras Maiúsculas, subtítulos, tópicos e quem sabe até de uma página em branco.

elemento composto



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um sorriso. um piercing. uma barba por fazer. 
uma estatura mediana. um cor de café com caramelo.
 um hálito convidativo. um olhar observador. uma camisa preta. 
uma disposição contagiante. um abraço encaixado. um ouvido antenado.
 e uma saudade que vale por várias.