despertar a dor.



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O tal dia chegou e para ela era apenas mais um dia qualquer. Ignorou todos os toques do despertador e continuou a dormir, sem nenhum peso na consciência. Até que alguém arromba a porta e abre as cortinas, sim era sua mãe. Estava num desespero incomum, parecia que a casa estava em chamas.
- TU PRETENDE DORMIR ATÉ QUE HORAS, PRINCESA?
- com você gritando assim, eu pretendo hibernar até o próximo outono.
- não vá me dizer que tu se esqueceu.
- é claro que não. do que você tá falando?!
- JESUS MARIA JOSÉ!
- amém! amém!
Ela se sentou na cama e ficou observando a mãe desarrumar todo o seu guarda-roupa. Não queria se levantar e nem se esforçava pra lembrar do que ela havia esquecido.
- VAI CONTINUAR AÍ?
- só pra constar: eu tô sonolenta, NÃO SURDA!
Foi nesse momento que a mãe lhe jogou um vestido na cara e ordenou que ela fosse se trocar. Sem nenhuma empolgação ela saiu da cama e caiu pra dentro do banheiro. Abriu o chuveiro e ficou olhando a água cair e esquentar. Antes de entrar embaixo d'água ela foi até o som, colocou no modo aleatório e apertou o play.
Quando a décima música estava começando a tocar, ela sentiu um arrepio lhe correr pelo corpo e então a ficha caiu.

we.


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Hoje, eles são a mistura do doce com o amargo. Ele sempre otimista e ela sempre tentando colocar os seus pés no chão. Enquanto ela idealizava um futuro perfeito, ele só preocupava com o hoje. Cada dia era o seu dia. Rotina era o que eles faziam para não cair na rotina. Ele chorava com comerciais e ela ria das lutas livres. Eram a contradição de que o semelhante não funciona. De uma forma ou outra eles se completavam e assim ficavam a poucos passos da perfeição. Tinham lá os seus dias nublados, mas o vento do amor sempre afastava as más nuvens. O olhar dele era o mais apaixonado que existia, enquanto ela exalava a paixão através do sorriso. A distância veio e tentou acabar com tudo, o problema é que ela não sabia onde estava se metendo. O que ligava ela a ele e ele a ela não era a presença de ambos. Não existia só ele ou só ela. Eles eram a mistura um do outro e assim seriam até o último suspiro.

solta, roda e vira.


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O ano virou e eu continuo alimentando meu medo por robôs. 
O ano virou e eu continuo não gostando de acordar cedo.
O ano virou e eu continuo encalhada.
O ano virou e eu continuo com a mania de tomar banho de chinelo.
O ano virou e eu continuo achando que pijama é a melhor roupa.
O ano virou e eu continuo fazendo falsas promessas.
O ano virou e eu continuo fugindo dos relacionamentos.
O ano virou e eu continuo esperando por algumas respostas.
O ano virou e eu continuo usando o mesmo nome no blog.
O ano virou e eu continuo com a mesma foto.
O ano virou e eu continuo com preguiça de textos grandes.
O ano virou e eu continuo tentando fazer valer algumas pessoas.
O ano virou e eu continuo com as mesmas amizades.
O ano virou e eu continuo acreditando que Jesus é o melhor amigo do homem.
O ano virou e eu continuo a escrever coisas nonsense. 
O ano virou e eu continuo querendo realizar desejos antigos.
O ano virou e eu continuo usando o mesmo cabelo.
O ano virou e eu continuo deixando tudo pra mais tarde.
O ano virou e eu continuo usando o mesmo óculos.
O ano virou e eu continuo ouvindo as músicas de sempre.
O ano virou e o sorriso dele ainda é o mais belo.
O ano virou e eu continuo com a minha voz de pato.
O ano virou e eu continuo dormindo com dois travesseiros.
O ano virou e eu continuo gostando de assistir desenhos.
O ano virou e eu continuo preferindo chuva ao sol.

O ano virou e eu continuo continuando a continuação.


um dedo de prosa [50]

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Ela: ((:
Ele: (:
Ela: como estamos?!
Ele: juntos?!
Ela: daqui até a eternidade.

faixa 25.



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- Quero ser livre das lembranças que me prendem ao passado. (♪)

riscos e discos.



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Quando resolvemos gostar de alguém, é por nossa conta e risco! E também é debitado nessa conta a missão de fazer o tal alguém perceber e acreditar no sentimento, porque afinal de contas as pessoas não são obrigadas a adivinhar o que se passa do lado de dentro do nosso coração, né?! O que não quer dizer que elas tem o direito de nos fazer de trouxa! 
Talvez o sentimento seja sentindo por ambas as partes, mas uma delas tem que ceder a falta de vergonha e rasgar fronha. Caso contrário, chegará um terceiro e levará o que era pra ser nosso. E é nesse momento que aquele ditado de que ser for pra ser será cai por terra, anota aí.
É claro que depois que a fronha do sentimento for rasgada, não tem como juntar as penas e fingir que nada aconteceu e tá acontecendo. Pode ser que o clima fique estranho, pode ser que as coisas se encaixem perfeitamente, pode ser e pode não ser.
Lembrando que o risco é nosso e só nosso! Não podemos oferecer sentimento esperando retorno, porque daí quebramos a cara e de brinde o coração. 
Não, você não é obrigado/a a oferecer a cara pra bater, você pode ficar no seu mundinho curtindo o sentimento só. Sem preocupação, sem expectativa, sem decepção e principalmente sem o prazer de fazer o tal alguém feliz.
Fato é que teoria é teoria e romance é romance.

um dedo de prosa [49]



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Ela: acho que já passou da hora.
Ele: hora de que?!
Ela: de você ser meu!
(risos)

mimimi



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Por mais estranho que possa parecer, as coisas boas sempre trazem uma certa desconfiança. Elogios são vistos como ironia. Aplausos e sorrisos são tidos como atestado de falsidade. Ninguém acredita na bondade alheia, todos estamos sempre com os dois pés e o coração atrás. Desconfiamos até do nosso espelho. Não nos reconhecemos com um sorriso no rosto ou então com o estômago sendo usado como pista de dança para as mariposas. Sempre que algo bom acontece, automaticamente lembramos de algum ruim que aconteceu antes ou que tá pra acontecer depois. O choro é mais aceitável que a gargalhada. Ninguém finge sofrimento, ninguém quer parecer um fracasso e ninguém força lágrimas para se enturmar em um grupo qualquer. Mas eu não tô só falando de dor ou tristeza, o ódio; o rancor; a mágoa; as frustrações e mais uma pá-de-desgraça também estão na lista. Me pergunto porque é mais fácil acreditar no ruim do que no bom. Será que ninguém merece o benefício da dúvida?! Será que não acreditamos na alegria alheia porque somos um bando de invejosos ?! Tem que vê direitinho isso aê!

# ganha sempre quem incomoda mais.

rodo e pia.


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O amor,
mesmo com a dor
não perde o sabor
e muito menos a cor.

O amor,
mesmo com o clima
não perde a rima
e muito menos o ímã.

O amor,
mesmo com o dia
não perde a harmonia
e muito menos a melodia.

ato cem e um.



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Os dias do lado de cá estão cada vez mais instáveis. Tanto o clima lá fora quando o clima aqui dentro. Vejo o céu azul e aquele sol forte alegrando a vida de vários e fico lembrando da tempestade que rola dentro de mim. Não que eu esteja passando por uma fase deprimente ou coisa do tipo. Às vezes, os papeis são invertidos. Todos correm da tempestade e eu sorrio, ao lembrar do sol que brilha dentro de mim. Lembro-me daquele calor que falta cozinhar os meus órgãos.
 Mas, eu confesso que sou mais chuva do que sol. Não sou uma pessoa triste - já fui durante muito tempo - e também não sou a rainha da felicidade, porque gosto de me equilibrar entre esses estados de espírito.

um dedo de prosa [48]



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Ele: sempre desconfiei que você tinha bom gosto.
Ela: e quanto teve certeza?!
Ele: quando você aceitou meu pedido de casamento.
(risos)

2 patinhos na lagoa.



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Pra bom entendedor, um título basta ;)

dia sim e o outro também.



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Às vezes, a gente acorda e a esperança continua dormindo. Parece que tudo a nossa volta não vai dá certo, que tudo foi perdido e que só levantamos pra cumprir um ritual obrigatório. Em dias como esse, nada tem graça e muito menos cor. Todos os clichés de foreve alone nos serve como roupa encomendada sobre medida. Todos temos dias assim, seja rico ou seja pobre, bonito ou feio, magro ou gordo, banguelo ou sorri dente. Achamos que todos os dias seguintes serão semelhantes ou talvez iguais. Desejamos a morte, não a nossa, a dos outros que nos deixaram daquela maneira. Os ponteiros do relógio caminham na mesma velocidade que uma tartaruga manca, e não é exagero não. Felizmente a noite, a noite de verdade, porque o dia todo parece uma grande madrugada fria e escura. Colocamos a cabeça no travesseiro ou então no braço do sofá. Tentamos uma reza para desejar que tudo fique bem, mas no fundo negando que as coisas possam de fato de ajeitar. Nosso mal é esse pessimismo eterno e essa falta de fé nos pedidos que fazemos. O sono chega depois de um maremoto de pensamentos, lamúrias e algumas lágrimas teimosas que correm pelo nosso rosto. Assim que nossas pálpebras se fecham, o mundo se transforma. Enquanto dormimos coisas mágicas acontecem, pode ter certeza. Bons sonhos invadem nosso pensamento, sorte nossa que o nosso sub-consciente é muito esperto e nunca liga para aquilo que acreditamos ou não. Ele dá espaço para aquilo que almejamos e temos vergonha de dizer. Sonhos bons acontecem, sonhos que só são bons por serem só sonhos. Mais um dia nasce e dessa vez a esperança é esperta o suficiente para se levantar no primeiro toque do despertador.

# a fé é a chave que abre a porta dos sonhos.

frase. /doze.



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# por mais especial que seja o pão, ele sempre vai precisar de uma manteiga.

faixa 26.




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- Meu bem,
saudade é pra quem tem. (♪)

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Estava tudo quieto demais, o silêncio fazia mais barulho que a buzina do moço das empadas. A ordem parecia está em ordem. Foi quando a verdade apareceu, numa simples atualização de rotina. Com uma velocidade descabida, a mesa virou e o jogo voltou ao seu estado original. As primeiras perguntas feitas não procuravam solução, muito menos alívio. Elas queriam cutucar a fera, ressuscitar o que parecia morto. Para isso que certas perguntas existem. As respostas encontradas nunca são as que nos satisfazem. Diria que até um ‘porque sim’ teria mais valor e seria melhor aceito diante daquela zona. A verdade é que não existe verdade, tudo não passou de uma brincadeira de cabra-cega. Onde o cego somos nós e a cabra é a esposa do bode.

ato cento e quatro.



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Um encontro casual se tornou frequente e rotineiro. Quem poderia apostar que daquele rápido encontro iria brotar um relacionamento sólido e duradouro?! Confesso que até eu tive as minhas dúvidas. Não me culpe, porque hoje em dia nada dura, muito menos relacionamentos. É só olhar para os lados, ou então para esses blogs da vida, que você encontrará gente reclamando e dizendo que está só na solidão. 
Sou da tribo que qualquer silêncio é desculpa para fazer tempestade em gota d'água, é isso mesmo. Me mandou um 'hm' depois que eu escrevi um texto, logo penso: NÃO ME AMA MAIS. E haja lenço de papel pra limpar as melecas que se misturam com as lágrimas - sô nojenta. Um dia longe e meu coração já batuca o samba da saudade. É sempre assim e às vezes o samba cai no esquecimento, para que eu possa seguir em frente. 
Daí, outro dia se passa e lá está a outra banda do relacionamento. Me mostrando que tudo não passou de um equivoco e que eu deveria deixar minhas paranoias de lado. Tudo continua a ser como sempre foi. A intimidade está intacta, sem nenhuma rachadura ou brecha. A cumplicidade vestindo a roupa de todos os dias. E o afeto estreando a roupa que usou no primeiro encontro.
Fato é que cada um tem um relacionamento assim, daqueles que acontecem para sempre - mesmo com a distância, mesmo com a ausência, mesmo com o silêncio, mesmo com as pausas - e pronto cabô. Se você diz que não é porque você é um/a bundão/bundona orgulhoso/a, simples assim.

# quem vê cara, não conhece a coroa.

página dois.



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A tal cafeteria ficava a poucos passos dali, apontei o caminho e então ela me acompanhou. Como de costume, ela pegou no meu braço na hora de atravessar - outra mania permanente dela. 

- É aqui. 

Entramos e eu deixei ela escolher um lugar. Puxei a cadeira pra ela e me sentei logo em seguida. 

- Você vem sempre aqui?! 

- Só de segunda a domingo. 

A garçonete trouxe os cardápios e ficou esperando. Sem olhar, ela disse: 

- Confio em você, então o que iremos pedir?! 

Levantei a cabeça e disse: 

- O de sempre, em dose dupla. 

Fiquei esperando ela perguntar o que eu sempre pedia, mas a pergunta não veio. 

- Que horas você pretende responder as minhas perguntas?! 

- Temos tempo?! 

- Todo tempo do dia de hoje. 

- Já que é assim ... eu estou muito bem, não me mudei pra cá e estou só de passeio. Satisfeito?! 

- Quase. Esperava mais detalhes. 

- Tem certeza?! 

- Absoluta. 

- Arrumei um emprego numa escola, onde eu trabalho na parte da manhã. Fiz alguns cursos. Hoje em dia, depois de receber um convite, moro numa casa muito bonita, onde eu dou minhas aulas e faço as reuniões dos jovens. Passei em um concurso público e agora estou esperando me chamarem. Quase um conto de fadas, né?! 

- Defina quase. 

- Eu só contei por cima, ou melhor, só contei as coisas boas. Não quero gastar o seu tempo me lamuriando. Agora é a sua vez. 

- Eu terminei minha faculdade, participei de algumas pesquisas. Além disso, eu dou aulas em duas escolas. Comprei um apartamento e estou montando a minha biblioteca. Eu gostaria de ouvir suas lamurias. 

- Uma outra hora, quem sabe. 

- Posso perguntar sobre o convite que você recebeu?! 

- Você é livre pra perguntar o que quiser. 

Ela não tinha comentado nada sobre o tal rapaz com quem morava. Seu dedo esquerdo estava liso e sem marca de aliança, não queria deixá-la constrangida, mas a curiosidade era maior. 

- Você ganhou uma casa na loteria?! 

- Melhor que isso. O André voltou da Austrália e me chamou pra morar com ele. 

Minha tentativa de manter o semblante foi totalmente frustada, pois o mesmo desmoronou na hora que eu ouvi o nome dele. Abaixei minha cabeça e logo em seguida ouvi o barulho das xícaras sendo colocadas em cima da mesa. 

- Capuccino com creme e bolo de cenoura com cobertura de chocolate, como sempre, você acerta no pedido. 

- Nem sempre. 

- Impressão minha ou você ficou abatido com alguma coisa?! 

- Deixa pra lá. 

- Os anos se passaram e você não abriu mão dessa mania de fugir dos assuntos. 

- Me desculpa. Mas isso não é da minha conta. 

- Eu sei que isso não é da sua conta, mas, só pra constar, o André é só um amigo e nada mais. Sei que é difícil acreditar, mas é a verdade. E é aí que mora uma das minhas lamurias. 

- Se é o que você diz, eu acredito em você. 

- Obrigada.

entre as linhas.



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Com você as coisas podem ser legais. Sem você as coisas podem ser legais. Com você eu posso sorrir sempre. Sem você eu posso sorrir sempre. Com você eu tenho liberdade. Sem você eu tenho liberdade. Com você eu tenho afeto. Sem você eu tenho afeto. Com você eu faço planos. Sem você eu faço planos. 

A diferença é você quem faz.